Todas as opções abaixo são consideradas critérios diagnósticos (Critérios revisados da Clínica Mayo) para Cardiomiopatia de Takotsubo, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Discinesia transitória dos segmentos mediais do ventrículo esquerdo (VE), com ou sem envolvimento apical; a alteração estende-se além do território de uma coronária epicárdica; gatilho por estresse frequentemente presente.
Certa, porque descreve a disfunção transitória dos segmentos do VE que ultrapassa o território de uma coronária e pode ser precipitada por estresse.
- B)Ausência angiográfica de doença coronariana obstrutiva ou ruptura aguda de placa.
Certa, pois a ausência de doença coronariana obstrutiva ou ruptura aguda de placa faz parte dos critérios revisados de Mayo.
- C)Ausência de alterações cardíacas coexistentes e espessamento da parede miocárdica do VE com duas camadas: uma epicárdica fina e outra endocárdica espessa.
Errada, porque esse espessamento em duas camadas não integra os critérios diagnósticos de Takotsubo.
- D)Alterações agudas no ECG, supradesnivelamento do segmento ST e/ou inversão de onda T ou alterações modestas da troponina.
Certa, já que alterações agudas no ECG e elevação modesta de troponina são achados típicos da síndrome.
- E)Ausência de feocromocitoma ou miocardite.
Certa, pois feocromocitoma e miocardite devem ser excluídos para o diagnóstico de Takotsubo.
Gabarito: C
A cardiomiopatia de Takotsubo, também chamada de síndrome do coração partido, costuma aparecer depois de um estresse emocional ou físico e imita um infarto: dor torácica, alteração no ECG e pequena elevação de troponina, mas sem a cara clássica de obstrução coronariana. Nos critérios revisados da Clínica Mayo, o ponto central é mostrar disfunção transitória do ventrículo esquerdo, geralmente apical ou em outros segmentos, que vai além do território de uma única coronária. Além disso, os critérios pedem ausência de doença coronariana obstrutiva ou de ruptura aguda de placa, bem como exclusão de feocromocitoma e miocardite, porque esses quadros podem produzir apresentação muito parecida. É por isso que, na prática, o diagnóstico é sempre de exclusão: parece infarto, mas a coronária não explica tudo. A alternativa C está errada porque fala em espessamento da parede miocárdica do VE com duas camadas, uma epicárdica fina e outra endocárdica espessa, algo que não faz parte dos critérios diagnósticos revisados da Mayo para Takotsubo. Esse tipo de descrição não é critério clássico nem critério revisado para a síndrome. Então, resumindo com a lógica de prova: Takotsubo exige quadro transitório, ECG/troponina compatíveis, coronárias sem obstrução significativa e exclusão de diagnósticos que confundem o cenário. Se apareceu descrição estrutural estranha de parede miocárdica como critério, desconfie: a banca costuma colocar esse enfeite justamente para testar se você sabe o que realmente entra na lista.