Mulher, 45 anos, realizou exame de mamografia digital que evidenciou microcalcificações suspeitas em QSE de mama esquerda. Foi submetida à mamotomia, cuja histopatologia revelou tratar-se de hiperplasia atípica. Para o caso, a conduta correta é:
- A)seguimento semestral com mamografia.
Errada, porque hiperplasia atípica em biópsia de mama não é caso de apenas observar, já que há risco de lesão associada mais grave não amostrada.
- B)exérese cirúrgica da lesão com avaliação das margens.
Certa, pois a hiperplasia atípica encontrada na mamotomia exige exérese cirúrgica da lesão com avaliação das margens para excluir carcinoma associado.
- C)ressecção segmentar com linfonodo sentinela.
Errada, porque ressecção segmentar com linfonodo sentinela é conduta para câncer de mama confirmado ou fortemente suspeito, não para hiperplasia atípica isolada.
- D)mastectomia com esvaziamento axilar.
Errada, pois mastectomia com esvaziamento axilar é tratamento excessivo e não se indica para uma lesão atípica diagnosticada em biópsia percutânea.
- E)adenomastectomia com linfonodo sentinela.
Errada, porque adenomastectomia com linfonodo sentinela não é a conduta padrão para hiperplasia atípica e implica tratamento muito mais agressivo do que o necessário.
Gabarito: B
Hiperplasia atípica na mama, especialmente quando aparece em biópsia de imagem feita por microcalcificações suspeitas, não é para entrar em modo "vamos observar e ver no que dá". Esse achado é considerado lesão de risco e tem chance relevante de haver uma lesão mais importante ao redor, que a amostra pequena pode não ter captado. Por isso, a conduta clássica é retirar cirurgicamente a área para exame completo da peça. A lógica aqui é simples: a mamotomia fez o diagnóstico da alteração inicial, mas a histopatologia mostrou hiperplasia atípica, e isso exige exérese da lesão para afastar carcinoma in situ ou invasor associado. O objetivo também é avaliar as margens e garantir que a área suspeita foi realmente removida. Em prova, lembre: achado de atipia em biópsia percutânea costuma pedir ampliação diagnóstica cirúrgica. Não há indicação automática de linfonodo sentinela nesse cenário, porque ainda não há diagnóstico de câncer confirmado. Linfonodo sentinela entra quando já existe suspeita ou confirmação de malignidade que justifique estadiamento axilar. Aqui, o problema é primeiro esclarecer o que há de verdade na lesão, antes de sair estadiando. Então o gabarito B está correto porque a hiperplasia atípica encontrada na mamotomia deve ser submetida à exérese cirúrgica da lesão com avaliação das margens. É a conduta que evita perder um câncer oculto e resolve a famosa armadilha da amostra pequena que "mostra pouco, mas esconde muito".