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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente portador de Púrpura Trombocitopênica Idiopática refratária será submetido a esplenectomia. Sua contagem de plaquetas no pré-operatório imediato é de 7.500/µL. A respeito da conduta transfusional a ser seguida no período peri-operatório, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Na púrpura trombocitopênica idiopática, hoje chamada mais corretamente de PTI, o problema é destruição periférica de plaquetas por mecanismo autoimune. Então, quando a cirurgia é a esplenectomia, o baço é justamente um dos grandes “vilões” da história, porque participa da remoção dessas plaquetas. Por isso, transfundir plaquetas muito cedo costuma ser dinheiro jogado no ventilador: elas entram e podem ser sequestradas/destruídas antes de ajudar de verdade. No perioperatório da esplenectomia, a lógica transfusional é segurar ao máximo e, quando o cirurgião já clampeou o pedículo esplênico, aí sim transfundir plaquetas. Nesse momento, o fluxo para o baço é interrompido, então a sobrevida das plaquetas transfundidas melhora bastante e elas podem cumprir sua função hemostática no campo cirúrgico. É por isso que a alternativa C está correta: transfundir uma dose de concentrado de plaquetas após o clampeamento do pedículo esplênico. A ideia não é “normalizar” a contagem antes da cirurgia, e sim garantir hemostasia no momento em que a destruição esplênica deixa de ser um problema imediato. A IVIG pode ser usada em PTI para elevar plaquetas antes de procedimentos, e corticoide também entra nessa conversa em muitos protocolos, mas a pergunta pediu a conduta transfusional perioperatória. Em prova, a banca costuma cobrar essa noção prática: na esplenectomia por PTI, plaqueta muito cedo = efeito ruim; plaqueta depois do clampeamento = estratégia correta.

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