Paciente portador de Púrpura Trombocitopênica Idiopática refratária será submetido a esplenectomia. Sua contagem de plaquetas no pré-operatório imediato é de 7.500/µL. A respeito da conduta transfusional a ser seguida no período peri-operatório, assinale a afirmativa correta.
- A)Transfundir dose dupla de plaquetas imediatamente antes do início da cirurgia.
Errada: transfundir antes do início da cirurgia expõe as plaquetas à mesma destruição/sequestro esplênico, reduzindo o benefício.
- B)Observar a cirurgia e se houver sangramento anormal ou de vulto, transfundir uma dose de concentrado de plaquetas.
Errada: esperar sangramento importante para só então transfundir não é a melhor conduta em um paciente com plaquetopenia grave e cirurgia de alto risco hemorrágico.
- C)Transfundir uma dose de concentrado de plaquetas após o clampeamento do pedículo esplênico.
Certa: após o clampeamento do pedículo esplênico, a destruição/sequestro esplênico cai e a transfusão de plaquetas se torna efetiva.
- D)Transfundir apenas concentrado de hemácias em caso de sangramento anormal.
Errada: hemácias podem ser necessárias se houver sangramento, mas não substituem a correção da hemostasia com plaquetas.
- E)Imunoglobulina por via intravenosa, na dose de 2g/Kg de peso, 24 horas antes da cirurgia.
Errada: a imunoglobulina intravenosa pode ser usada como preparo da PTI, mas não é conduta transfusional e a questão pede especificamente a estratégia perioperatória transfusional.
Gabarito: C
Na púrpura trombocitopênica idiopática, hoje chamada mais corretamente de PTI, o problema é destruição periférica de plaquetas por mecanismo autoimune. Então, quando a cirurgia é a esplenectomia, o baço é justamente um dos grandes “vilões” da história, porque participa da remoção dessas plaquetas. Por isso, transfundir plaquetas muito cedo costuma ser dinheiro jogado no ventilador: elas entram e podem ser sequestradas/destruídas antes de ajudar de verdade. No perioperatório da esplenectomia, a lógica transfusional é segurar ao máximo e, quando o cirurgião já clampeou o pedículo esplênico, aí sim transfundir plaquetas. Nesse momento, o fluxo para o baço é interrompido, então a sobrevida das plaquetas transfundidas melhora bastante e elas podem cumprir sua função hemostática no campo cirúrgico. É por isso que a alternativa C está correta: transfundir uma dose de concentrado de plaquetas após o clampeamento do pedículo esplênico. A ideia não é “normalizar” a contagem antes da cirurgia, e sim garantir hemostasia no momento em que a destruição esplênica deixa de ser um problema imediato. A IVIG pode ser usada em PTI para elevar plaquetas antes de procedimentos, e corticoide também entra nessa conversa em muitos protocolos, mas a pergunta pediu a conduta transfusional perioperatória. Em prova, a banca costuma cobrar essa noção prática: na esplenectomia por PTI, plaqueta muito cedo = efeito ruim; plaqueta depois do clampeamento = estratégia correta.