Paciente, 17 anos, foi atendida em serviço de alergia com história de surgimento de angioedema palpebral bilateral, 3 horas após o uso de ibuprofeno como antitérmico. Alguns meses depois, usou outro anti-inflamatório que não recorda o nome para cólica menstrual. Após 2 horas evoluiu novamente com angioedema palpebral. Na infância era medicada com dipirona, sem reações, mas não utiliza há algum tempo. Indique a melhor opção para investigação diagnóstica inicial dessa paciente.
- A)Teste cutâneo de leitura imediata com ibuprofeno.
Errada, porque teste cutâneo imediato com ibuprofeno não é o exame inicial mais útil para a maioria das reações a AINEs não seletivos, que geralmente não são mediadas por IgE.
- B)Teste de provocação com ácido acetilsalicílico.
Certa, porque o teste de provocação com ácido acetilsalicílico ajuda a confirmar hipersensibilidade cruzada a AINEs e é uma investigação inicial clássica nesses casos.
- C)Teste de provocação com paracetamol.
Errada, porque paracetamol costuma ser avaliado como alternativa potencialmente tolerada, e não como exame inicial para esclarecer esse padrão de reação.
- D)Dosagem de IgE específica para ibuprofeno.
Errada, porque dosagem de IgE específica para ibuprofeno não é um método validado ou útil na investigação rotineira desse tipo de hipersensibilidade.
- E)Teste de provocação com ibuprofeno.
Errada, porque provocar com ibuprofeno repetiria o agente suspeito e não é a melhor estratégia inicial quando a história já sugere reação a AINEs com possível cruzamento.
Gabarito: B
Essa paciente tem um quadro bem sugestivo de hipersensibilidade a anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), com angioedema aparecendo poucas horas após o uso de mais de um medicamento da classe. Quando isso acontece com diferentes AINEs, a pista forte é que o problema pode não ser uma alergia isolada a uma molécula, mas uma reação relacionada ao mecanismo farmacológico comum da classe, especialmente à inibição da COX-1. Nessas situações, o diagnóstico inicial costuma ser feito com teste de provocação, porque exames de sangue e teste cutâneo geralmente não ajudam muito para AINEs não seletivos. O objetivo é confirmar a reação e, se possível, identificar quais opções podem ser seguras depois. Como o caso sugere reação a múltiplos AINEs, o ácido acetilsalicílico costuma ser usado como fármaco de referência na investigação, pois ajuda a mostrar se existe intolerância cruzada dentro do grupo. Repare que o histórico de tolerância à dipirona na infância não resolve o caso sozinho. Além de ser uma droga diferente, a paciente nem usa mais há algum tempo, então isso não substitui uma investigação adequada. Também seria arriscado partir direto para ibuprofeno de novo, porque isso poderia reproduzir a reação sem necessidade. Em alergia, coragem sem estratégia não vale ponto. Então, a melhor opção inicial é o teste de provocação com ácido acetilsalicílico, por ser o método mais útil para confirmar esse padrão de hipersensibilidade e orientar a conduta futura. É uma linha clássica em alergologia: quando o mecanismo é duvidoso e a história sugere reação cruzada, o teste de provocação bem indicado costuma ser o exame que organiza a bagunça.