Um recém-nascido pequeno para idade gestacional, com 32 semanas de idade gestacional, começa a apresentar hiperglicemia (200 mg/dL) no quinto dia de vida. O peso de nascimento foi 1100g. Ele está em nutrição parenteral com uma taxa proteica de 2,5 g/Kg/dia, lipídeo 2,5 g/kg/dia e TIG (taxa de infusão de glicose) de 8 mg/Kg/minuto. - A conduta imediata deve ser a de
- A)aumentar a oferta proteica.
Errada, porque aumentar proteína não corrige a hiperglicemia aguda e, em geral, a proteína deve ser mantida para suporte de crescimento.
- B)aumentar a oferta de lipídeo.
Errada, porque aumentar lipídeo não é a medida inicial para tratar hiperglicemia neonatal e não resolve o excesso de oferta de glicose.
- C)diminuir a oferta de lipídeo.
Errada, porque diminuir lipídeo pode reduzir calorias, mas não trata diretamente a causa mais provável da hiperglicemia, que aqui é a alta infusão de glicose.
- D)diminuir a oferta de glicose.
Certa, porque a primeira conduta na hiperglicemia do recém-nascido em nutrição parenteral é reduzir a taxa de infusão de glicose.
- E)iniciar insulina imediatamente.
Errada, porque insulina não é a primeira medida; ela fica para casos persistentes ou graves após ajuste do aporte de glicose.
Gabarito: D
No recém-nascido, especialmente o prematuro e o pequeno para idade gestacional, hiperglicemia em nutrição parenteral costuma acontecer porque a oferta de glicose está maior do que a capacidade de uso metabólico. Ou seja, antes de sair correndo para insulina, a primeira pergunta é: a glicose está entrando demais? Aqui, a TIG de 8 mg/kg/min já está em faixa alta para esse contexto, e a conduta inicial é reduzir a oferta de glicose, que é o gatilho mais provável da hiperglicemia. Esse raciocínio é bem clássico em neonatologia: primeiro ajusta-se o aporte nutricional, principalmente a glicose, e só depois se pensa em insulina se a hiperglicemia persistir, for importante ou vier acompanhada de glicosúria significativa, desidratação ou distúrbios metabólicos. Insulina imediata em recém-nascido não é a regra, porque pode causar hipoglicemia abrupta e é uma medida mais delicada. A proteína e o lipídeo não são o alvo principal para baixar a glicemia nesse momento. Na verdade, a proteína deve ser mantida ou até otimizada para favorecer crescimento, e o lipídeo costuma ser preservado para fornecer energia sem aumentar tanto a carga glicêmica. Em prematuro pequeno para idade gestacional, o objetivo é crescer sem desorganizar o metabolismo - nada de dar glicose como se fosse suco de festa. Então, com glicemia de 200 mg/dL no quinto dia de vida e TIG elevada, a melhor conduta imediata é diminuir a oferta de glicose. Esse é o ajuste inicial mais lógico e mais cobrado em prova.