Menina, 6 anos de idade, com história de roncos diários. Mãe relata que a paciente apresenta respiração oral durante o dia e que está sempre gripada. Ao exame físico, peso e estatura no percentil 10, cornetos nasais pálidos e hipertrofiados. Tonsilas palatinas ocupando cerca de 75% da cavidade oral, palato em ogiva, com mordida cruzada posterior. Iniciado corticosteroide nasal para controle da Rinite, com melhora parcial dos sintomas nasais. Após 4 meses de uso, mantém roncos. Realiza polissonografia que revela apneia leve (intensidade de apneia-hipopnéia+ 4 eventos/hora) e nasofibroscopia que demonstra obstrução adenoidiana de 75% da cavidade. Realiza adenoamigdalectomia com melhora da respiração. Sobre o caso, analise as afirmativas a seguir que fazem pensar em apneia do sono. 1. História de ronco habitual (3 ou mais vezes por semana) e apnéia presenciada. 2. Respiração oral e piora da qualidade do sono (sonolência ou agitação). 3. Obstrução nasal e hiposmia. Está correto o que se afirma em
- A)1 e 2, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas 1 e 2, que correspondem aos achados clássicos que levantam suspeita de apneia obstrutiva do sono na criança. Ronco habitual e apneia presenciada são sinais-cardinais de obstrução de via aérea superior durante o sono, e a respiração oral com sono de má qualidade, agitação ou sonolência também é típica em pediatria. Por isso, ela está correta.
- B)1 e 3, apenas.
Esta opção considera verdadeiras as afirmativas 1 e 3. A primeira é compatível com a suspeita de apneia do sono, mas a terceira mistura obstrução nasal com hiposmia, que não é um conjunto clássico para apontar SAOS pediátrica; obstrução nasal pode coexistir, porém hiposmia é mais ligada a rinite/sinusopatia do que ao quadro de apneia. Além disso, a afirmativa 2 descreve um padrão clínico muito mais sugestivo e foi deixada de fora.
- C)2 e 3, apenas.
Aqui se afirma que 2 e 3 seriam suficientes para pensar em apneia do sono. A 2 realmente descreve um conjunto compatível com SAOS pediátrica, mas a 3 não é um marcador típico da síndrome, pois obstrução nasal e hiposmia sugerem mais doença nasal associada do que apneia em si. Faltando a afirmativa 1, que é uma das pistas mais fortes do caso, a alternativa fica incorreta.
- D)2, apenas.
Esta alternativa restringe a suspeita à afirmativa 2, isto é, à respiração oral com piora da qualidade do sono. Esse achado é relevante, mas sozinho não esgota o quadro, porque o ronco habitual com apneia presenciada é um dado ainda mais característico de apneia obstrutiva do sono na infância. Portanto, a formulação fica incompleta e não corresponde ao conjunto de sinais do caso.
- E)3, apenas.
A opção sustenta que apenas a afirmativa 3 faria pensar em apneia do sono. Isso não procede, porque obstrução nasal e hiposmia não são critérios clássicos para suspeita de SAOS pediátrica e são muito mais inespecíficos, podendo ocorrer em rinite ou outras doenças nasais. Além disso, ela ignora os sinais centrais do caso, como ronco habitual, apneia presenciada e respiração oral.
Gabarito: A
Apneia obstrutiva do sono em crianças costuma aparecer de forma menos “clássica” do que no adulto. Em vez de só sonolência, a criança pode ter ronco habitual, pausas respiratórias observadas pela família, sono agitado, respiração pela boca, dificuldade de concentração e até alteração do crescimento e da face, como palato em ogiva e mordida cruzada. No caso descrito, há um conjunto bem típico de obstrução de vias aéreas superiores por rinite e hipertrofia adenoamigdalianas, o que explica o ronco e a apneia leve na polissonografia. A afirmativa 1 está correta porque ronco habitual, especialmente 3 ou mais vezes por semana, associado a apneia presenciada, é um sinal bem sugestivo de apneia do sono. Em pediatria, isso pesa bastante na suspeita clínica, porque a história dada pelos pais costuma ser a principal pista inicial. A afirmativa 2 também aponta para apneia do sono, já que respiração oral e piora da qualidade do sono, com sonolência ou agitação, são manifestações comuns de distúrbio respiratório relacionado ao sono na criança. Criança com apneia nem sempre fica “sonolenta” como o adulto; muitas vezes fica irritada, inquieta ou com desempenho ruim, o que pode confundir. Já a afirmativa 3 não é a melhor associação para pensar em apneia do sono. Obstrução nasal pode coexistir com o quadro, mas hiposmia é muito mais lembrada em rinossinusite, pólipos nasais e outras causas de doença nasal, não sendo um achado-chave para apneia do sono. Por isso, o gabarito A fica correto: 1 e 2, apenas.