O exame de ultrassonografia (USG) é o exame mais utilizado para o diagnóstico de hidronefrose por ser amplamente distribuído nos serviços de saúde e pelo baixo custo na sua realização. Sobre este exame, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Todas as medidas devem ser ajustadas de acordo com a idade e o tamanho para comparação com a normalidade.
Correta: as medidas ultrassonográficas devem ser interpretadas conforme idade e tamanho, especialmente em pediatria.
- B)É difícil a realização em pacientes não cooperativos.
Correta: a qualidade do exame pode cair em pacientes não cooperativos, porque a ultrassonografia depende de boa janela e posicionamento.
- C)Nos primeiros dias de vida do recém-nascido, o USG pode mascarar a hidronefrose.
Correta: nos primeiros dias de vida, a hidronefrose pode ficar subestimada ou mascarada na USG neonatal.
- D)A análise do rim normal contralateral não tem correlação com a gravidade da obstrução.
Incorreta: o rim contralateral ajuda na comparação e na interpretação da gravidade da obstrução, não sendo um dado irrelevante.
- E)A dilatação dos cálices renais indica maior grau de obstrução.
Correta: a dilatação calicial costuma indicar obstrução mais avançada ou mais significativa.
Gabarito: D
A ultrassonografia é o exame inicial mais usado para avaliar hidronefrose porque é acessível, barato e não expõe o paciente à radiação. Ela ajuda a ver a dilatação do sistema coletor, mas a interpretação não pode ser feita “no olho” sem contexto: idade, tamanho corporal e situação clínica mudam bastante a leitura do exame. Em recém-nascidos, especialmente nos primeiros dias de vida, a USG pode subestimar ou até mascarar a hidronefrose. Isso acontece porque a desidratação fisiológica do período neonatal e a baixa produção de urina podem reduzir a dilatação aparente. Por isso, um exame muito precoce pode parecer mais tranquilo do que realmente é. Outro ponto importante é que a presença de dilatação dos cálices renais sugere obstrução mais importante. Quanto mais o sistema coletor “abre”, maior tende a ser o grau de comprometimento. Já rins contralaterais e achados globais do paciente também entram na análise, porque a comparação com o lado oposto pode ajudar a entender a gravidade e a repercussão funcional. O gabarito é a alternativa D porque ela erra ao dizer que o rim normal contralateral não tem correlação com a gravidade da obstrução. Na prática, a avaliação do lado contralateral é útil justamente para comparação, assimetria e contexto da doença, e faz parte da leitura adequada do exame.