Um lactente de 11 meses apresenta febre, desnutrição, hepatoesplenomegalia, palidez cutâneo mucosa, icterícia e ascite e edema de membros inferiores. Sua mãe relata que os sintomas começaram há cerca de 2 meses, com piora progressiva do quadro, apesar do uso de antibióticos e anti-helmínticos. Hoje o lactente apresentou epistaxe a mãe notou petéquias. O diagnóstico foi realizado por visualização direta do agente em material de aspirado de medula óssea e por imunofluorescência indireta (RIFI) com resultado 1:80. Sobre o caso acima, assinale a afirmativa correta.
- A)O diagnóstico é leptospirose e o tratamento pode ser realizado com ceftriaxone.
Errada, porque leptospirose não é diagnosticada por aspirado de medula com parasito visível, e ceftriaxone não é o tratamento padrão desse quadro.
- B)O diagnóstico é tuberculose miliar e o tratamento pode ser realizado com o esquema de rifampicina, isoniazida e pirazinamida.
Errada, porque tuberculose miliar não é confirmada por visualização do agente em medula nesse contexto, e o quadro clínico descrito é mais típico de leishmaniose visceral.
- C)O diagnóstico é tuberculose miliar grave e o tratamento pode ser realizado com o esquema de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol.
Errada, porque o esquema RIPE é usado para tuberculose e não trata leishmaniose visceral; além disso, o diagnóstico do caso aponta para outro parasito.
- D)O diagnóstico é leishmaniose visceral e o tratamento pode ser realizado com artemeter e lumefantrina.
Errada, porque artemeter e lumefantrina tratam malária, não leishmaniose visceral, embora o nome da doença possa confundir pelo quadro febril.
- E)O diagnóstico é leishmaniose visceral e o tratamento pode ser realizado com anfotericina B.
Certa, porque o quadro clínico e a demonstração do agente na medula indicam leishmaniose visceral, cujo tratamento inclui anfotericina B.
Gabarito: E
O quadro descrito é clássico de leishmaniose visceral: febre prolongada, emagrecimento/desnutrição, hepatoesplenomegalia importante, palidez por anemia, icterícia, ascite, edema e até sangramentos por acometimento medular e plaquetopenia. Em lactente, essa doença costuma parecer uma “síndrome febril arrastada” que não melhora com antibiótico comum, o que já acende a luz amarela para etiologias parasitárias. O diagnóstico foi praticamente fechado pelo achado direto do agente no aspirado de medula óssea, que evidencia o parasito intracelular. A RIFI positiva em 1:80 reforça a suspeita, pois a sorologia é usada como apoio diagnóstico, principalmente quando o quadro clínico é bem sugestivo. Na prática, clínica + evidência parasitológica é a combinação que mata a charada. No tratamento, a opção correta é anfotericina B, especialmente a formulação lipossomal em muitos protocolos pediátricos, por maior eficácia e menor toxicidade. O uso de artemeter e lumefantrina é para malária, não para leishmaniose. Já esquemas para tuberculose ou leptospirose não explicam a visualização do agente na medula nem o padrão clínico. Então, a alternativa E está correta porque une o diagnóstico certo com o tratamento adequado. Em prova, lembre: febre prolongada + esplenomegalia + pancitopenia/sangramento em criança = pense forte em leishmaniose visceral.