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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Um lactente de 11 meses apresenta febre, desnutrição, hepatoesplenomegalia, palidez cutâneo mucosa, icterícia e ascite e edema de membros inferiores. Sua mãe relata que os sintomas começaram há cerca de 2 meses, com piora progressiva do quadro, apesar do uso de antibióticos e anti-helmínticos. Hoje o lactente apresentou epistaxe a mãe notou petéquias. O diagnóstico foi realizado por visualização direta do agente em material de aspirado de medula óssea e por imunofluorescência indireta (RIFI) com resultado 1:80. Sobre o caso acima, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: E

O quadro descrito é clássico de leishmaniose visceral: febre prolongada, emagrecimento/desnutrição, hepatoesplenomegalia importante, palidez por anemia, icterícia, ascite, edema e até sangramentos por acometimento medular e plaquetopenia. Em lactente, essa doença costuma parecer uma “síndrome febril arrastada” que não melhora com antibiótico comum, o que já acende a luz amarela para etiologias parasitárias. O diagnóstico foi praticamente fechado pelo achado direto do agente no aspirado de medula óssea, que evidencia o parasito intracelular. A RIFI positiva em 1:80 reforça a suspeita, pois a sorologia é usada como apoio diagnóstico, principalmente quando o quadro clínico é bem sugestivo. Na prática, clínica + evidência parasitológica é a combinação que mata a charada. No tratamento, a opção correta é anfotericina B, especialmente a formulação lipossomal em muitos protocolos pediátricos, por maior eficácia e menor toxicidade. O uso de artemeter e lumefantrina é para malária, não para leishmaniose. Já esquemas para tuberculose ou leptospirose não explicam a visualização do agente na medula nem o padrão clínico. Então, a alternativa E está correta porque une o diagnóstico certo com o tratamento adequado. Em prova, lembre: febre prolongada + esplenomegalia + pancitopenia/sangramento em criança = pense forte em leishmaniose visceral.

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