Paciente de 60 anos, diabético, apresenta ferida infectada na região plantar direita, com formação de abscesso plantar, sem drenagem espontânea. Exames laboratoriais apontam leucocitose (20000 leucócitos), hiperglicemia (glicemia 250mg/dL) e proteína C reativa 10 mg/dL. Ao exame físico, observa-se a presença de pulsos amplos podálicos bilateralmente. Neste caso, a melhor conduta será
- A)observação ambulatorial e antibioticoterapia oral.
Errada, porque um abscesso plantar infectado não deve ser tratado apenas com observação e antibiótico oral, já que há necessidade de drenagem do foco purulento.
- B)arteriografia e antibioticoterapia venosa.
Errada, porque a arteriografia não é prioridade quando os pulsos estão amplos e a perfusão parece preservada; além disso, antibiótico venoso sem drenagem não resolve o abscesso.
- C)drenagem cirúrgica do abscesso e antibioticoterapia venosa.
Certa, pois abscesso exige drenagem cirúrgica e os sinais de gravidade justificam antibioticoterapia venosa.
- D)drenagem cirúrgica do abscesso e arteriografia.
Errada, porque a drenagem é necessária, mas a arteriografia não é indicada de rotina neste caso com pulsos preservados.
- E)curativos com álcool 70% e antiinflamatórios.
Errada, porque curativo com álcool e anti-inflamatório não trata abscesso infectado nem substitui drenagem e antibiótico adequado.
Gabarito: C
Em paciente diabético com ferida infectada e abscesso plantar, o ponto principal é que abscesso não se trata só com remédio: ele precisa de drenagem cirúrgica. Antibiótico ajuda, mas, sozinho, costuma falhar quando há coleção purulenta fechada, porque a droga não “entra” bem no interior do abscesso. Por isso, primeiro se resolve a fonte do problema, e depois se cobre a infecção com antibiótico, neste caso por via venosa, já que há sinais sistêmicos importantes como leucocitose, PCR elevada e hiperglicemia. Os pulsos amplos podálicos bilaterais são uma pista valiosa: sugerem boa perfusão arterial. Isso reduz a suspeita de isquemia importante e torna a arteriografia desnecessária como passo inicial. Em outras palavras, o problema aqui não é falta de sangue para o pé, e sim infecção com coleção purulenta. Na prática, a conduta correta é drenagem cirúrgica do abscesso e antibioticoterapia venosa. Em pé diabético infectado, sempre pense em controle de foco, porque antibiótico sem drenagem vira quase uma torcida organizada contra o microrganismo, mas sem fechar o jogo. A lógica é bem cirúrgica e bem clínica: coleção drenável, drena-se; infecção grave, antibiótico endovenoso; sinais de má perfusão, aí sim se investiga circulação com mais atenção. Aqui, a presença de pulsos preservados afasta esse caminho vascular como prioridade.