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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 60 anos, diabético, apresenta ferida infectada na região plantar direita, com formação de abscesso plantar, sem drenagem espontânea. Exames laboratoriais apontam leucocitose (20000 leucócitos), hiperglicemia (glicemia 250mg/dL) e proteína C reativa 10 mg/dL. Ao exame físico, observa-se a presença de pulsos amplos podálicos bilateralmente. Neste caso, a melhor conduta será

Gabarito: C

Em paciente diabético com ferida infectada e abscesso plantar, o ponto principal é que abscesso não se trata só com remédio: ele precisa de drenagem cirúrgica. Antibiótico ajuda, mas, sozinho, costuma falhar quando há coleção purulenta fechada, porque a droga não “entra” bem no interior do abscesso. Por isso, primeiro se resolve a fonte do problema, e depois se cobre a infecção com antibiótico, neste caso por via venosa, já que há sinais sistêmicos importantes como leucocitose, PCR elevada e hiperglicemia. Os pulsos amplos podálicos bilaterais são uma pista valiosa: sugerem boa perfusão arterial. Isso reduz a suspeita de isquemia importante e torna a arteriografia desnecessária como passo inicial. Em outras palavras, o problema aqui não é falta de sangue para o pé, e sim infecção com coleção purulenta. Na prática, a conduta correta é drenagem cirúrgica do abscesso e antibioticoterapia venosa. Em pé diabético infectado, sempre pense em controle de foco, porque antibiótico sem drenagem vira quase uma torcida organizada contra o microrganismo, mas sem fechar o jogo. A lógica é bem cirúrgica e bem clínica: coleção drenável, drena-se; infecção grave, antibiótico endovenoso; sinais de má perfusão, aí sim se investiga circulação com mais atenção. Aqui, a presença de pulsos preservados afasta esse caminho vascular como prioridade.

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