Mulher de 73 anos procura atendimento com queixa de vertigem episódica, de início abrupto, associada a náuseas e vômitos. Relata que os sintomas são precipitados por “rolar na cama”, inclinar-se para frente. Nega zumbido ou perda auditiva. No exame físico a pressão arterial 130x 80 mmHg deitada e 135 x 84 mmHg em pé. Presença de nistagmo rotacional. A hipótese diagnóstica é
- A)Vertigem Posicional Paroxística Benigna.
Correta: o quadro é clássico de vertigem posicional paroxística benigna, com crises desencadeadas por movimentos da cabeça e nistagmo rotacional.
- B)Doença de Ménière.
Errada: na doença de Ménière, a vertigem costuma vir com zumbido, plenitude auricular e perda auditiva flutuante.
- C)Neurinoma do acústico.
Errada: o neurinoma do acústico costuma causar perda auditiva unilateral progressiva e zumbido, não vertigem posicional típica.
- D)Ataque isquêmico transitório vertebrobasilar.
Errada: ataque isquêmico vertebrobasilar tende a vir com sinais neurológicos associados, e não com vertigem puramente posicional e benigna.
- E)Hipotensão postural.
Errada: hipotensão postural exigiria queda pressórica ao ficar em pé, o que não ocorreu no caso.
Gabarito: A
A vertigem posicional paroxística benigna, ou VPPB, é a campeã das vertigens desencadeadas por movimento da cabeça. O quadro costuma ser bem típico: crises curtas, de início súbito, provocadas por deitar, rolar na cama, olhar para cima ou inclinar-se para frente. A paciente pode ter náuseas e vômitos, mas não costuma apresentar zumbido nem perda auditiva. No exame, o nistagmo posicional, muitas vezes rotatório, reforça bastante a suspeita. O ponto-chave aqui é que a pressão arterial não caiu de forma relevante ao ortostatismo, então hipotensão postural fica longe do alvo. Além disso, não há sinais de lesão auditiva ou sintomas neurológicos focais, o que afasta outras causas vestibulares ou centrais mais preocupantes. Em geriatria, saber reconhecer esse padrão poupa exames desnecessários e leva rápido ao tratamento correto. O gabarito é a alternativa A porque o conjunto "vertigem desencadeada por mudança de posição + nistagmo rotacional + ausência de zumbido/perda auditiva" é praticamente a assinatura da VPPB. Na prática, o diagnóstico é clínico e costuma ser confirmado com manobras posicionais, como a de Dix-Hallpike, que provoca os sintomas e o nistagmo característico.