Uma paciente, sexo feminino, 70 anos, atendida com quadro de hiponatremia (Na=125mEq/L), hiposmolalidade sérica, osmolalidade urinária > 100 mosmol/kg, sódio urinário > 40 mEq/L, potássio sérico normal, baixos níveis de uréia e ácido úrico e ausência de distúrbio ácido-base, foi orientada, com base no diagnóstico clínico, para restrição hídrica a 800mL/dia, mas uma vez permanecendo com sódio sérico baixo, poderá se beneficiar da seguinte medicação:
- A)Clortalidona.
Clortalidona pode causar ou piorar hiponatremia, então não é tratamento para esse cenário.
- B)Espironalactona.
Espironolactona também pode favorecer hiponatremia em alguns contextos e não trata SIADH.
- C)Dapaglifozina.
Dapagliflozina não é a conduta clássica para esse quadro e não é a opção cobrada para corrigir SIADH aqui.
- D)Ureia oral.
Ureia oral é uma opção terapêutica útil no SIADH quando a restrição hídrica não normaliza o sódio.
- E)Terlipressina.
Terlipressina faz vasoconstrição e é usada em outros contextos, como sangramento varicoso e síndrome hepatorrenal, não para essa hiponatremia.
Gabarito: D
O quadro descreve uma hiponatremia hipotônica com urina inapropriadamente concentrada e sódio urinário alto, além de ureia e ácido úrico baixos, o que é bem sugestivo de SIADH (síndrome da secreção inapropriada de ADH). Em outras palavras, o rim está segurando água quando deveria eliminá-la, então o sódio “dilui” no plasma. A primeira medida costuma ser restrição hídrica, como foi orientado, mas nem sempre isso basta. Quando a restrição hídrica não resolve, uma opção útil é aumentar a excreção de água livre sem piorar muito o sódio. A ureia oral faz exatamente esse papel: ela eleva a carga osmótica urinária, favorece a diurese e ajuda a corrigir a hiponatremia em SIADH. É uma estratégia clássica e muito cobrada em prova, especialmente quando o caso já veio bem “montado” para esse diagnóstico. A lógica é simples: se o problema é excesso de água retida por ação do ADH, você precisa ajudar o rim a eliminar água. A ureia faz isso por osmose, e por isso entra como tratamento adjuvante quando a restrição hídrica falha ou é insuficiente. Em casos selecionados, outras opções podem existir, mas aqui a pista clínica e laboratorial aponta diretamente para ela. Então o gabarito é a letra D porque a paciente tem um quadro típico de SIADH refratário à restrição hídrica, e a ureia oral é uma medida eficaz para elevar o sódio sérico por aumentar a excreção de água livre.