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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo masculino, 63 anos, tabagista, coronariopata já submetido a colocação de stent coronariano, com quadro de 3 meses de evolução de dispepsia. A endoscopia digestiva alta evidenciou lesão em mucosa gástrica, localizada na grande curvatura do antro e distando 5cm do piloro, de aproximadamente 1 cm de diâmetro, Borrmann I. Ecoendoscopia mostrou estar restrita à mucosa gástrica e ter, na verdade, 1,5 cm de diâmetro, sem linfonodomegalias perigástricas. Procedida no mesmo ato endoscópico ressecção mucosa endoscópica, com retirada completa da lesão. Análise histopatológica revelou se tratar de adenocarcinoma moderadamente diferenciado, tipo intestinal de Lauren, sem invasão angiolinfática e com margens não-comprometidas. Assinale a opção que indica a conduta correta.

Gabarito: A

A questão gira em torno do câncer gástrico precoce e do que fazer depois de uma ressecção endoscópica com critério de cura. Quando o tumor está restrito à mucosa, é bem diferenciado, mede até 2 cm, não tem invasão linfovascular, não deixou margens comprometidas e não há linfonodos suspeitos, a ressecção endoscópica pode ser considerada curativa. Nessa situação, o paciente não precisa “correr para a cirurgia grande”, porque a chance de benefício adicional é muito baixa e o risco operatório seria desnecessário. Aqui, o caso fecha exatamente esse cenário: adenocarcinoma intestinal, moderadamente diferenciado, 1,5 cm, apenas na mucosa, sem linfonodomegalias e com ressecção completa. É o tipo de laudo que faz o gastroenterologista respirar aliviado e o cirurgião ficar em modo vigilância. A conduta, então, é observação com seguimento endoscópico e clínico. Na prática, isso segue os critérios aceitos para ressecção endoscópica curativa do câncer gástrico inicial, descritos nas diretrizes japonesas e amplamente usados na doutrina: lesão bem diferenciada, intramucosa, pequena, sem evidência de disseminação local ou sistêmica. Se houvesse submucosa, margens positivas, invasão linfática ou tamanho fora dos critérios, aí sim a cirurgia entraria no jogo. Por isso o gabarito é a letra A. O enunciado foi montado para parecer que qualquer câncer gástrico vai direto para gastrectomia com linfadenectomia, mas a oncologia digestiva adora essas exceções bem comportadas.

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