Com relação à ecocardiografia sob estresse, analise as afirmativas a seguir. I. Na cardiopatia isquêmica, a resposta bifásica durante o estresse com dobutamina é bom preditor de melhora da função ventricular esquerda após a terapia de reperfusão. II. Broncoespasmo e uso de xantinas são contraindicações ao uso de dobutamina III. O Ecocardiograma sob estresse com dipiridamol e atropina é mais sensível que a cintilografia miocárdica. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa reúne apenas a afirmativa I, que descreve a resposta bifásica ao estresse com dobutamina: melhora da contratilidade em baixas doses e piora em doses mais altas, padrão de miocárdio viável com isquemia induzível. Esse achado é usado para prever recuperação da função ventricular esquerda após reperfusão, porque identifica segmentos ainda recuperáveis. As afirmativas II e III não se sustentam, então somente I compõe o enunciado correto.
- B)II, apenas.
A alternativa afirma que broncoespasmo e uso de xantinas impedem o uso de dobutamina. Na prática, essas limitações são típicas dos agentes vasodilatadores, como adenosina e dipiridamol, e não da dobutamina, que é um agonista beta-adrenérgico; os principais cuidados com ela são arritmias, hipertensão e isquemia importante. Portanto, o conteúdo da afirmativa II está conceitualmente trocado.
- C)III, apenas.
A alternativa sustenta que o ecocardiograma sob estresse com dipiridamol e atropina seria mais sensível que a cintilografia miocárdica. Em geral, o ecocardiograma de estresse tem melhor especificidade e sensibilidade semelhante ou discretamente inferior à da cintilografia, variando com o protocolo e com a população estudada. Assim, a frase exagera a sensibilidade do método ecocardiográfico em relação ao exame nuclear.
- D)I e II, apenas.
Essa opção combina a afirmativa I, que está correta ao relacionar a resposta bifásica com miocárdio viável e melhora funcional após reperfusão, com a II, que erra ao atribuir à dobutamina contraindicações próprias dos vasodilatadores. Como o conjunto exigiria as duas proposições verdadeiras, a presença da II derruba a alternativa. O conteúdo de I permanece certo, mas a associação com II torna a marcação incompatível com o enunciado.
- E)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmativas, mas isso exige que II e III também sejam verdadeiras. A II é incorreta porque broncoespasmo e xantinas são restrições clássicas de adenosina e dipiridamol, não da dobutamina, e a III também falha ao afirmar superioridade de sensibilidade do eco sobre a cintilografia de forma geral. Por isso, o conjunto inteiro não se sustenta.
Gabarito: A
A ecocardiografia sob estresse é um daqueles exames que adoram "provocar" o coração para ver se alguma parede do ventrículo esquerdo vai reclamar quando o trabalho aumenta. Ela pode ser feita com exercício ou com fármacos, como dobutamina e dipiridamol, e é muito usada para investigar isquemia miocárdica e viabilidade ventricular. Na cardiopatia isquêmica, a dobutamina pode revelar a chamada resposta bifásica: em doses baixas, um segmento miocárdico hipocontrátil melhora, mas em doses mais altas volta a piorar. Esse padrão sugere miocárdio viável com isquemia induzível e, por isso, é bom preditor de melhora da função ventricular esquerda após reperfusão. É a clássica pista de que o músculo ainda "está vivo", só está precisando de ajuda. Já broncoespasmo e uso de xantinas não são contraindicações da dobutamina; essas situações estão mais ligadas às provas com vasodilatadores, como dipiridamol e adenosina, que podem precipitar broncoconstrição e ter seu efeito reduzido por metilxantinas. Portanto, a afirmativa II está errada. A afirmativa III também está errada. O eco sob estresse com dipiridamol e atropina não é mais sensível que a cintilografia miocárdica de forma geral; o ecocardiograma costuma ter excelente especificidade, enquanto a cintilografia tende a ser mais sensível para detecção de doença coronariana. Assim, apenas a I está correta, o que justifica o gabarito A.