Na síndrome de Brown-Séquard ou hemissecção medular, a sensibilidade encontra-se afetada, abaixo do nível da lesão. Este comprometimento manifesta-se com alteração da sensibilidade
- A)superficial homolateral e profunda contralateral à lesão.
Errada: inverte os padrões clássicos, porque a sensibilidade superficial tende a ser contralateral e a profunda, homolateral.
- B)superficial e profunda homolateral à lesão.
Errada: a perda de sensibilidade profunda não é superficial e profunda do mesmo lado em Brown-Séquard, pois as vias cruzam em pontos diferentes.
- C)superficial e profunda contralateral à lesão.
Errada: a hemissecção medular não gera, em regra, perda superficial e profunda ambas contralaterais abaixo da lesão.
- D)profunda contralateral à lesão.
Errada: a sensibilidade profunda isolada contralateral não representa o padrão típico da síndrome de Brown-Séquard.
- E)superficial contralateral e profunda homolateral à lesão.
Certa: na hemissecção medular, a sensibilidade superficial tende a ser perdida contralateralmente e a profunda homolateralmente abaixo da lesão.
Gabarito: E
Na síndrome de Brown-Séquard, a medula é seccionada de forma parcial em um lado, e isso cria um padrão bem clássico de perda sensitiva abaixo da lesão. Pense assim: algumas vias sobem do mesmo lado até o bulbo antes de cruzar, enquanto outras cruzam logo na medula. Por isso, a hemissecção não bagunça tudo do mesmo jeito em ambos os lados. A sensibilidade profunda, como propriocepção, vibração e tato discriminativo, percorre os cordões posteriores e sobe ipsilateralmente na medula. Então, quando a hemissecção é à direita, por exemplo, a perda dessa sensibilidade aparece à direita, abaixo do nível da lesão. Já a sensibilidade superficial, principalmente dor e temperatura, cruza rapidamente na medula e depois sobe pelo trato espinotalâmico do lado oposto. Resultado: a perda superficial aparece contralateralmente. É exatamente por isso que o gabarito é a letra E: sensibilidade superficial contralateral e profunda homolateral à lesão. Esse é o padrão clássico ensinado em neurologia e cobrado em prova com gosto, porque a banca adora testar se você sabe onde a via cruza. Resumo mental útil: "cordão posterior = cruza mais acima, então perde do mesmo lado; espinotalâmico = cruza cedo, então perde do lado oposto". Se você guardar essa lógica, Brown-Séquard deixa de ser um bicho de sete cabeças e vira quase um mapa de trânsito nervoso.