Paciente jovem de 21 anos sem comorbidades, do sexo feminino, dá entrada no pronto-socorro com queixa de cefaleia hemicraniana, pulsátil, associada a náuseas e vômitos. Refere foto e fonofobia. Paciente refere já apresentar tais crises há anos. Após receber dipirona e metoclopramida, paciente refere manutenção da dor. As medicações a seguir são possíveis de serem utilizadas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Cetoprofeno.
Cetoprofeno é um AINE que pode ser usado no tratamento abortivo da crise de enxaqueca.
- B)Tramadol.
Tramadol não é a melhor opção para enxaqueca aguda, pois opioides devem ser evitados pelo risco de baixa eficácia, cronificação e cefaleia por uso excessivo.
- C)Sumatriptano.
Sumatriptano é triptano indicado para abortar crise de enxaqueca em pacientes sem contraindicações vasculares.
- D)Clorpromazina.
Clorpromazina pode ser utilizada na crise de enxaqueca por efeito antiemético e ação sobre a dor.
- E)Dexametasona.
Dexametasona pode ser usada como adjuvante em algumas crises, sobretudo para reduzir recorrência, embora não seja a primeira escolha isolada.
Gabarito: B
O quadro descrito é típico de enxaqueca: cefaleia hemicraniana, pulsátil, com náuseas, vômitos, foto e fonofobia, em uma paciente jovem com crises recorrentes há anos. Na crise aguda, após analgésico e antiemético iniciais sem resposta, ainda podem ser usados anti-inflamatórios, triptanos, alguns antieméticos com ação central e corticosteroides em situações selecionadas. O ponto-chave é lembrar que nem toda dor de cabeça pede opioide. Na enxaqueca, os opioides não são a melhor escolha porque têm menor eficácia, podem favorecer cronificação, cefaleia por uso excessivo de medicação e ainda trazem risco de dependência e efeitos adversos importantes. Por isso, tramadol não é opção preferida para abortar crise de enxaqueca. Já cetoprofeno é um AINE útil para crise de enxaqueca, sumatriptano é clássico triptano para abortar a crise, clorpromazina pode ser usada por seu efeito antiemético e antimigrenoso, e dexametasona pode ser adjuvante em casos selecionados, especialmente para reduzir recidiva da crise. Em prova, a lógica é simples: enxaqueca aguda responde melhor a AINEs, triptanos e antieméticos; opioide fica como intruso na festa. Esse raciocínio é compatível com as recomendações de sociedades como a International Headache Society e com a prática clínica baseada em evidências.