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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente jovem de 21 anos sem comorbidades, do sexo feminino, dá entrada no pronto-socorro com queixa de cefaleia hemicraniana, pulsátil, associada a náuseas e vômitos. Refere foto e fonofobia. Paciente refere já apresentar tais crises há anos. Após receber dipirona e metoclopramida, paciente refere manutenção da dor. As medicações a seguir são possíveis de serem utilizadas, à exceção de uma. Assinale-a.

Gabarito: B

O quadro descrito é típico de enxaqueca: cefaleia hemicraniana, pulsátil, com náuseas, vômitos, foto e fonofobia, em uma paciente jovem com crises recorrentes há anos. Na crise aguda, após analgésico e antiemético iniciais sem resposta, ainda podem ser usados anti-inflamatórios, triptanos, alguns antieméticos com ação central e corticosteroides em situações selecionadas. O ponto-chave é lembrar que nem toda dor de cabeça pede opioide. Na enxaqueca, os opioides não são a melhor escolha porque têm menor eficácia, podem favorecer cronificação, cefaleia por uso excessivo de medicação e ainda trazem risco de dependência e efeitos adversos importantes. Por isso, tramadol não é opção preferida para abortar crise de enxaqueca. Já cetoprofeno é um AINE útil para crise de enxaqueca, sumatriptano é clássico triptano para abortar a crise, clorpromazina pode ser usada por seu efeito antiemético e antimigrenoso, e dexametasona pode ser adjuvante em casos selecionados, especialmente para reduzir recidiva da crise. Em prova, a lógica é simples: enxaqueca aguda responde melhor a AINEs, triptanos e antieméticos; opioide fica como intruso na festa. Esse raciocínio é compatível com as recomendações de sociedades como a International Headache Society e com a prática clínica baseada em evidências.

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