Um paciente portador de anemia falciforme em programa de transfusão de troca parcial crônica (com infusão de 2 bolsas a cada 3 semanas, apresenta uma pesquisa de anticorpos irregulares positiva. O painel de identificação de anticorpos mostra que se trata de um anticorpo anti-e (anti-Rh5), sendo que o fenótipo do paciente é Dce/Dce. Assinale a afirmativa que pode ser a explicação para a presença deste anticorpo.
- A)Auto anticorpo (anti-Rh48).
Errada: autoanticorpos do sistema Rh são incomuns como explicação principal aqui, e o painel descreve um anti-e específico, sugerindo aloimunização.
- B)Artefato do exame, que não deve ser levado em conta.
Errada: não é para ignorar como artefato, porque um painel positivo com especificidade definida tem significado clínico e exige investigação.
- C)Erro na fenotipagem sanguínea do paciente.
Errada: erro de fenotipagem até pode acontecer, mas o caso pede uma explicação biológica plausível para a presença do anticorpo, e o achado aponta para variante do antígeno.
- D)Presença de mutação no gene RHCE, resultando em antígeno e (Rh5) parcial.
Certa: mutação no gene RHCE pode gerar antígeno e parcial, permitindo que o paciente produza anti-e apesar do fenótipo aparentar ser Dce/Dce.
- E)Agregação das hemácias devido à polimerização da hemoglobina S, causando resultado falso positivo na fenotipagem eritrocitária.
Errada: polimerização da hemoglobina S pode dificultar testes e gerar artefatos em algumas situações, mas não explica a formação de anti-e.
Gabarito: D
Na anemia falciforme, a transfusão crônica pode levar à formação de anticorpos contra antígenos eritrocitários do doador, especialmente no sistema Rh, que é muito complexo e costuma pregar peças. Quando o painel mostra anti-e, a primeira ideia é pensar em exposição prévia ao antígeno por transfusões, mas há um detalhe importante: o paciente tem fenótipo Dce/Dce, isto é, teoricamente expressa e. Mesmo assim, pode existir uma variante molecular do gene RHCE que produz um antígeno e parcial, ou seja, o antígeno parece estar lá na tipagem, mas não tem todos os epítopos necessários para tolerância completa. Aí o organismo reconhece o que falta como estranho e fabrica o anticorpo anti-e. Por isso o gabarito é a letra D: mutação no RHCE com antígeno e parcial. Em hematologia transfusional, essa é uma explicação clássica para aloanticorpos em pacientes multitransfundidos, e não um mero ruído laboratorial.