Apesar do progresso no tratamento e prevenção, o Citomegalovírus (CMV) continua sendo uma das infecções mais importantes no cenário de transplante de órgãos, resultando em morbidade e mortalidade substanciais. Assinale a estratégia recomendada para prevenção de doença por Citomegalovírus em receptores de transplante cardíaco, quando o doador é positivo para CMV (IgG reagente) e o receptor é negativo (IgG não reagente).
- A)Terapia preemptiva com pesquisa de viremia semanal nos primeiros três meses; tratar CMV quando detectar viremia.
Errada, porque a terapia preemptiva exige monitorização laboratorial muito estreita e não é a estratégia preferida para o cenário de maior risco D+/R- no transplante cardíaco.
- B)Profilaxia universal; utilizar valganciclovir profilático por 3 a 6 meses, após o transplante.
Certa, pois em receptor CMV negativo recebendo órgão de doador CMV positivo a recomendação é profilaxia universal com valganciclovir por 3 a 6 meses.
- C)Acompanhar clinicamente e em caso de sintomas iniciar tratamento com ganciclovir.
Errada, porque aguardar sintomas para iniciar tratamento deixa o paciente exposto a doença por CMV e não corresponde à prevenção recomendada nesse grupo de alto risco.
- D)Terapia preemptiva com pesquisa de viremia mensal nos primeiros seis meses; tratar CMV quando detectar viremia.
Errada, porque a pesquisa de viremia mensal é insuficiente para terapia preemptiva e, além disso, esse não é o esquema preferido para D+/R-.
- E)Profilaxia universal; utilizar aciclovir profilático, por 3 a 6 meses, após o transplante.
Errada, porque aciclovir não é a droga padrão para prevenção de CMV em transplantados de alto risco; o medicamento indicado é o valganciclovir.
Gabarito: B
No transplante de órgãos, o CMV é um velho conhecido por causar problema justamente quando a imunossupressão entra em cena. O risco é maior quando o doador é CMV IgG reagente e o receptor é não reagente, porque o paciente recebe um órgão de alguém que já teve contato com o vírus e ainda não tem imunidade própria. Essa combinação D+/R- é a situação de maior risco para doença por CMV. Nesses casos, a conduta recomendada é a profilaxia universal com valganciclovir após o transplante, por um período de 3 a 6 meses, conforme o protocolo do serviço e o tipo de órgão. A ideia é simples: em vez de esperar o vírus aparecer para correr atrás dele, você já bloqueia a replicação viral logo no período de maior vulnerabilidade. Isso reduz viremia, doença invasiva e complicações do enxerto. A terapia preemptiva também existe, mas costuma ser reservada para cenários e protocolos específicos, com monitorização muito estreita por PCR ou antigemia, geralmente semanal. Para o transplante cardíaco com D+/R-, a banca espera a profilaxia universal, que é a estratégia mais consagrada para alto risco. Ganciclovir pode ser usado em tratamento, mas não como conduta isolada de vigilância clínica. E aciclovir, apesar de famoso, não é a droga adequada para essa prevenção em CMV nesse contexto. Então, resumindo sem drama: doador positivo e receptor negativo em transplante cardíaco pede profilaxia com valganciclovir por 3 a 6 meses. É a resposta clássica de prova e também a conduta mais alinhada com diretrizes de transplante e prevenção de CMV.