Mulher, 32 anos, nuligesta, com citologia oncótica revelando lesão intraepitelial cervical de alto grau, foi submetida à colposcopia seguida de biopsia. O laudo histopatológico revelou invasão de 2,8mm. Para o caso, a conduta adequada é
- A)conização.
Certa: com invasão de 2,8 mm, trata-se de doença microinvasiva (IA1), em que a conização é conduta conservadora e adequada, sobretudo em nuligesta jovem.
- B)histerectomia simples.
Errada: histerectomia simples é tratamento excessivo para microinvasão tão pequena e não é a primeira escolha nesse cenário.
- C)histerectomia radical.
Errada: histerectomia radical é indicada para doença mais avançada, não para invasão estromal inferior a 3 mm.
- D)traquelectomia radical.
Errada: traquelectomia radical é uma opção de preservação de fertilidade em casos selecionados, mas aqui a conização já atende ao estágio descrito.
- E)radioterapia.
Errada: radioterapia não é a conduta padrão para microinvasão cervical e seria desnecessariamente agressiva.
Gabarito: A
Quando a biópsia mostra invasão cervical muito pequena, a primeira pergunta é: estamos diante de doença microinvasiva ou já de câncer invasor “de verdade”? Pela classificação clássica do colo uterino, invasão estromal de até 3 mm corresponde a doença microinvasiva (FIGO IA1). Nessa situação, especialmente em mulher jovem e que ainda não teve filhos, a conduta costuma ser conservadora, preservando o útero sempre que possível. A peça-chave aqui é a conização diagnóstica e terapêutica. Ela permite retirar a lesão inteira, avaliar margens e confirmar se não há extensão maior do que a descrita na biópsia. Se a invasão é de 2,8 mm, o caso cai exatamente nessa faixa em que a cirurgia conservadora é a escolha adequada, desde que não haja outros fatores de pior prognóstico, como invasão linfovascular ou margens comprometidas. Por isso, a resposta correta é a conização. Histerectomia simples ou radical seriam excessivas para doença tão inicial, e traquelectomia radical fica para situações selecionadas, mas não é a conduta padrão quando a lesão é microinvasiva tão pequena. Radioterapia, então, nem pensar como primeira linha nesse cenário: seria mais agressiva e sem vantagem para esse estágio. Em prova, guarde a lógica: menor invasão = menor radicalidade. Em câncer do colo uterino, o tamanho da invasão muda completamente a cirurgia, e a banca adora cobrar exatamente esse detalhe milimétrico.