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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Estima-se que até 60% dos pacientes com câncer colorretal irão apresentar metástases. Em cerca de 25% dos casos, as mesmas estão evidentes no momento do diagnóstico inicial. Muitas vezes o fígado é o único sítio de doença à distância, sendo a cirurgia um tratamento com possibilidade curativa. Alguns pacientes com doença hepática considerada inicialmente irressecável podem ser submetidos à ressecção cirúrgica radical, caso tenham uma boa resposta à quimioterapia. Por isso, é muito importante uma avaliação criteriosa, por equipe multidisciplinar, a fim de definir a melhor estratégia de tratamento. Em relação à avaliação e ao tratamento de pacientes com câncer colorretal e com metástases hepáticas, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

No câncer colorretal com metástases hepáticas, a pergunta central não é só "tem metástase?", mas sim "ela é ressecável?". Quando o fígado é o único sítio à distância e a cirurgia consegue retirar toda a doença com margens adequadas, existe chance real de tratamento com intenção curativa, muitas vezes após quimioterapia de indução para transformar uma doença inicialmente difícil em ressecável. A avaliação é sempre multidisciplinar, porque o cirurgião, o oncologista e a radiologia precisam conversar antes de sair cortando tudo por aí. Fazer apenas debulking, isto é, tirar parte do tumor deixando doença residual, não traz o mesmo benefício de uma ressecção completa e não é a estratégia padrão com finalidade curativa. A alternativa C está correta porque reúne vários fatores clássicos associados a pior prognóstico nas metástases hepáticas do câncer colorretal: linfonodo positivo no tumor primário, doença fora do fígado, mais de 3 lesões hepáticas, lesão maior que 5 cm, intervalo livre de doença menor que 12 meses, CEA elevado e mutações em KRAS e BRAF V600E. Em provas, esses marcadores costumam aparecer como sinais de doença mais agressiva e menor chance de bom resultado cirúrgico. Já as metástases sincrônicas não costumam ter prognóstico melhor que as metacrônicas, e quimioterapia pré-operatória com cetuximabe não é opção preferencial em doença ressecável, especialmente após o estudo New EPOC, que mostrou piora dos desfechos com essa estratégia. Também não se recomenda manter quimioterapia pré-operatória indefinidamente até uma "resposta máxima"; a tendência é evitar toxicidade excessiva e não perder a janela cirúrgica.

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