Em relação à hepatite autoimune, assinale a afirmativa correta.
- A)Não há prevalência entre os sexos.
Errada, porque a hepatite autoimune tem predomínio no sexo feminino, e não distribuição igual entre os sexos.
- B)A vacinação contra a hepatite A, B e anti-influenza está contraindicada em todos os pacientes com hepatite autoimune.
Errada, porque vacinas inativadas como hepatite A, hepatite B e influenza não são contraindicadas em todos os pacientes e geralmente são recomendadas conforme a situação clínica.
- C)O fator antinuclear (FAN) e anticorpo antimúsculo liso (AAML) positivos são marcadores sorológicos da hepatite autoimune tipo 2.
Errada, porque FAN e AAML são marcadores mais típicos da hepatite autoimune tipo 1, enquanto a tipo 2 se associa a anti-LKM1 e anti-LC1.
- D)A hepatite de interface, as rosetas de hepatócitos e a necrose em sacabocados são achados histológicos encontrados na hepatite autoimune.
Certa, porque a hepatite de interface, as rosetas de hepatócitos e a necrose em sacabocados são achados histológicos clássicos da hepatite autoimune.
- E)A monoterapia com azatioprina é a primeira escolha no tratamento inicial em pacientes sem contraindicação a nenhuma medicação.
Errada, porque o tratamento inicial costuma ser com corticoide, isolado ou associado à azatioprina, e não com azatioprina em monoterapia.
Gabarito: D
A hepatite autoimune é uma doença inflamatória crônica do fígado, geralmente com predomínio em mulheres e associação com autoanticorpos e hipergamaglobulinemia. O quadro pode variar de assintomático até hepatite aguda grave, e o diagnóstico costuma juntar clínica, exames laboratoriais, sorologia e biópsia hepática. Não é raro a prova misturar isso com hepatites virais, então vale lembrar: vacina não é vilã aqui, e sim aliada quando indicada. O ponto central da questão está na histologia. Na hepatite autoimune, a biópsia pode mostrar hepatite de interface, também chamada de necrose em sacabocados ou piecemeal necrosis, além de rosetas de hepatócitos. Esses achados são bem clássicos e ajudam muito na confirmação diagnóstica, principalmente quando o quadro laboratorial levanta a suspeita. Também é importante não confundir os autoanticorpos. Na forma tipo 1, os marcadores mais comuns são FAN e AAML (ou SMA). Já a hepatite autoimune tipo 2 se associa mais a anti-LKM1 e anti-LC1. Ou seja, a banca adora inverter os rótulos para ver se você escorrega no detalhe. No tratamento inicial, o esquema clássico é corticoide, como prednisona, isolado ou combinado com azatioprina. Azatioprina em monoterapia não costuma ser a primeira escolha para indução. Então, se a alternativa fala isso como regra geral, já acende o alerta vermelho.