Indivíduo de 22 anos apresenta quadro de hemoptise há duas semanas, seis episódios ao todo. A TC de tórax mostrou infiltrado com cavitação no lobo médio e há áreas sugerindo disseminação broncogênica para o lobo inferior esquerdo. O exame do escarro foi positivo para Mycobacterium tuberculosis. Em relação ao controle dos contatos deste paciente, está correto afirmar:
- A)A prova tuberculínica é utilizada para o diagnóstico da infecção latente;
Certa: a prova tuberculínica é usada para identificar infecção latente por tuberculose em contatos.
- B)Devem ser colocados em observação sem necessidade de teste tuberculínico;
Errada: contatos devem ser investigados com avaliação clínica e teste, e não apenas colocados em observação.
- C)Deve ser realizado fundamentalmente pelo especialista em enfermidades respiratórias;
Errada: o controle de contatos é uma medida de saúde pública e não uma atribuição exclusiva do especialista em doenças respiratórias.
- D)O contato assintomático adulto deve sempre ser tratado com quimioprofilaxia, independente do resultado da investigação;
Errada: adulto assintomático contato de TB não recebe quimioprofilaxia automaticamente, porque a conduta depende da investigação e da exclusão de doença ativa.
- E)Contatos assintomáticos vivendo com HIV devem realizar o tratamento da infecção latente somente caso a prova tuberculínica seja positiva;
Errada: em contatos com HIV, a indicação de tratamento da infecção latente não depende apenas de um raciocínio isolado; é necessário seguir a avaliação clínica e os critérios do protocolo, não uma regra simplista de positividade obrigatória.
Gabarito: A
No controle de contatos de tuberculose, a ideia central é simples: você não fica só olhando o contato e esperando sintomas aparecerem. Primeiro, faz-se a investigação dos comunicantes, com avaliação clínica e prova tuberculínica (PPD) ou teste equivalente, conforme o protocolo local, para identificar infecção latente e risco de adoecimento. Em alguns grupos, como crianças pequenas, imunossuprimidos e pessoas vivendo com HIV, a conduta pode ser ainda mais agressiva, porque o risco de progressão é maior. A prova tuberculínica tem papel clássico na identificação da infecção latente por Mycobacterium tuberculosis. Ela não confirma tuberculose ativa sozinha, mas ajuda a separar quem já teve contato imunológico com o bacilo e pode se beneficiar de tratamento da infecção latente, após excluir doença ativa. Então, quando a questão pergunta sobre controle de contatos, lembrar da PPD como ferramenta para detectar infecção latente é o caminho certo. As demais alternativas tentam confundir você com ideias meio tortas: contato não é para ficar apenas em observação sem teste, não é um tema exclusivo do pneumologista, e quimioprofilaxia não é para todo adulto assintomático sem olhar resultado de investigação. Em pessoas com HIV, também não se trata "no escuro" só por terem contato; a decisão depende da avaliação e, em geral, da prova tuberculínica ou de outro critério clínico-protocolar, sempre após excluir tuberculose ativa. Em prova, guarde esta trilha mental: contato de TB -> investigar -> testar infecção latente -> excluir doença ativa -> decidir tratamento preventivo. É o tipo de questão em que a banca adora misturar prevenção com diagnóstico, só para ver se você cai na conversa.