Um gestor municipal recebeu uma demanda para incorporar um teste com o objetivo de ajudar ao manejo clínico e prognóstico de pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC). O demandante apresentou o seguinte ensaio para suportar sua demanda: o teste foi aplicado a 225 pacientes com ICC em uma emergência, 75% foram hospitalizados, 15% em UTI com 10% de mortalidade. Assinale a opção que apresenta a conclusão do gestor.
- A)O teste deve ser incorporado, independentemente dos resultados, porque oferece uma opção a mais para médicos e pacientes.
Errada, porque incorporar tecnologia sem evidencia comparativa nao e boa pratica nem garante beneficio real ao paciente.
- B)O teste deve ser incorporado, porque 10% de mortalidade em ICC é um ótimo resultado.
Errada, porque 10% de mortalidade, sozinho, nao permite julgar se o teste trouxe melhora prognostica ou se esse numero ja seria esperado na ICC.
- C)O teste não deve ser incorporado, porque o tamanho amostral é pequeno.
Errada, porque o problema principal nao e apenas o tamanho da amostra, e sim a ausencia de grupo controle e de comparacao adequada.
- D)Solicitar uma nova busca de evidências, uma vez que o estudo não tinha grupo controle.
Certa, porque o estudo nao tem grupo controle e, assim, nao permite concluir sobre utilidade clinica, eficacia ou valor prognostico do teste.
- E)O teste não deve ser incorporado, porque 75% de hospitalizações é um percentual elevado.
Errada, porque 75% de hospitalizacao nao demonstra ineficacia do teste sem comparacao com pacientes semelhantes sem o teste.
Gabarito: D
Quando o gestor vai decidir se incorpora um teste, ele nao olha so para o resultado bonito na vitrine. Ele precisa saber se aquele teste realmente agrega valor para manejo clinico e prognostico, o que exige evidencia comparativa e metodo minimamente robusto. Um estudo com 225 pacientes, mostrando porcentagens de internacao, UTI e mortalidade, descreve apenas o que aconteceu com esse grupo, mas nao prova que o teste mudou desfechos ou melhorou a previsao em relacao ao padrao habitual. Em epidemiologia, esse tipo de relato sem grupo controle tem cara de estudo observacional descritivo ou serie de casos. Isso serve para gerar hipotese, nao para bater o martelo sobre incorporacao em saude. Sem comparacao, fica impossivel saber se a mortalidade de 10% foi boa, ruim ou igual ao esperado para pacientes com ICC em situacao semelhante. Por isso, o gestor deve pedir nova busca de evidencias. Em avaliacao de tecnologias em saude, a decisao de incorporar um teste depende de desempenho diagnostico/prognostico, validade externa, impacto clinico e comparacao com a pratica atual. So ver o numero de hospitalizacoes nao responde se o teste ajudou de verdade ou se apenas acompanhou a gravidade da doenca. Em resumo: dado isolado e sem controle nao sustenta incorporacao. Parece estudo, mas nao parece decisao segura. O gabarito D esta correto porque falta base comparativa para concluir efetividade ou utilidade clinica do teste.