A respeito da trombocitopenia neonatal alo-imune, assinale a afirmativa correta.
- A)Ocorre sempre a partir da segunda gestação.
Errada: a doença não ocorre sempre só a partir da segunda gestação, pois pode aparecer já na primeira gravidez.
- B)O anticorpo mais frequentemente envolvido é o anti-HPA1.
Certa: o anticorpo mais frequentemente associado é o anti-HPA1a, clássico da trombocitopenia neonatal alo-imune.
- C)Nos recém-nascidos, seu tratamento é feito com corticosteroide em esquema de pulsoterapia.
Errada: o tratamento neonatal não é pulsoterapia com corticosteroide, e sim principalmente imunoglobulina intravenosa e plaquetas compatíveis quando necessário.
- D)As transfusões de plaquetas no recém-nascido são contraindicadas, mesmo com contagens de plaquetas inferiores a 5.000/μL.
Errada: transfusão de plaquetas não é contraindicada; ela pode ser indicada inclusive em trombocitopenia grave com risco de sangramento.
- E)O sistema HLA é preponderante na gênese da doença.
Errada: o sistema HLA não é o principal na fisiopatologia, que está ligada sobretudo a antígenos plaquetários do sistema HPA.
Gabarito: B
A trombocitopenia neonatal alo-imune acontece quando a mae produz anticorpos contra antígenos plaquetarios do feto herdados do pai. Esses anticorpos atravessam a placenta e destroem as plaquetas do recém-nascido, podendo causar trombocitopenia importante e até sangramento grave. E o tipo de situação que assusta porque o bebê pode nascer aparentemente bem e, ainda assim, ter plaquetas muito baixas. O ponto-chave da questão é lembrar que o antígeno mais frequentemente implicado é o HPA-1a. Por isso, a alternativa B está correta. Na prática, esse é o alvo mais comum dos anticorpos maternos na doença, especialmente em populações em que esse sistema é o principal envolvido. Outro detalhe importante: não precisa acontecer só a partir da segunda gestação. Embora seja mais comum em gestações subsequentes, pode ocorrer já na primeira gravidez, porque a sensibilização pode acontecer antes ou durante a gestação, por pequenas hemorragias feto-maternas. Ou seja, o corpo não espera a segunda rodada para complicar. Quanto ao tratamento do recém-nascido, o foco costuma ser imunoglobulina intravenosa, plaquetas compatíveis e suporte conforme a gravidade. Corticosteroide em pulsoterapia não é a conduta padrão, e transfusão de plaquetas pode sim ser necessária em casos graves. O sistema HLA não é o principal vilão aqui; o mecanismo clássico envolve antígenos plaquetários específicos, sobretudo do sistema HPA.