Paciente de 19 anos, sexo feminino, história prévia de asma desde a infância foi admitida no serviço de emergência com dispneia e sibilos difusos à ausculta. Ao exame físico mostrava-se lúcida e orientada; FR = 32rpm; FC = 118bpm. A gasometria arterial realizada nesse atendimento mostrou os seguintes parâmetros: pH = 7,42; PaO2 = 90mmHg; PaCO2 = 32mmHg; SatO2 = 93%; HCO3 = 20,1mmol/l; BE = -3,3mml/l (BE = excesso de base) Com base nessas informações, é correto afirmar que:
- A)apresenta hipocapnia e alcalose respiratória compensada;
Certa: a PaCO2 está baixa, indicando hipocapnia, e o bicarbonato caiu discretamente por compensação, caracterizando alcalose respiratória compensada.
- B)há acidose respiratória compensada pelo bicarbonato sérico;
Errada: acidose respiratória exigiria PaCO2 alta, o que não acontece aqui.
- C)é o início de uma crise mostrando hipoxemia e hipercapnia leve;
Errada: não há hipercapnia, porque a PaCO2 está reduzida; a oxigenação também não mostra hipoxemia relevante.
- D)o excesso de base indica acidose metabólica como fenômeno primário;
Errada: o BE levemente negativo pode acompanhar compensação, mas não define sozinho uma acidose metabólica primária.
- E)há presença de acidose mista em razão do quadro respiratório e metabólico.
Errada: não há evidência de acidose mista, pois o pH não está acidótico e a PaCO2 está baixa, não elevada.
Gabarito: A
Na crise asmática, a gasometria ajuda a dizer se o paciente ainda está “hiperventilando bem” ou se já está cansando. No começo, é comum a pessoa respirar rápido e eliminar mais CO2 do que o normal, o que leva a hipocapnia e alcalose respiratória. O pulmão tenta compensar com uma leve queda do bicarbonato, mas isso é secundário, não é a causa principal do distúrbio. Neste caso, o pH está em 7,42, ou seja, praticamente normal e levemente alcalino. A PaCO2 está baixa, em 32 mmHg, mostrando que a alteração primária é respiratória, com tendência à alcalose. O HCO3 de 20,1 mmol/L e o BE de -3,3 sugerem apenas compensação metabólica discreta, compatível com esse quadro inicial. Outro ponto importante: na crise de asma grave, quando o paciente está piorando, você começa a se preocupar com aumento de PaCO2 e queda de pH, porque isso pode indicar fadiga muscular e falência ventilatória. Aqui acontece o contrário: a paciente ainda está hiperventilando, então o CO2 está baixo, não alto. Em resumo, a lógica da questão é simples: pH quase normal, CO2 baixo e bicarbonato levemente reduzido por compensação. O quadro é de hipocapnia com alcalose respiratória compensada, típico de crise asmática em fase inicial ou ainda sem retenção de CO2.