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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 19 anos, sexo feminino, história prévia de asma desde a infância foi admitida no serviço de emergência com dispneia e sibilos difusos à ausculta. Ao exame físico mostrava-se lúcida e orientada; FR = 32rpm; FC = 118bpm. A gasometria arterial realizada nesse atendimento mostrou os seguintes parâmetros: pH = 7,42; PaO2 = 90mmHg; PaCO2 = 32mmHg; SatO2 = 93%; HCO3 = 20,1mmol/l; BE = -3,3mml/l (BE = excesso de base) Com base nessas informações, é correto afirmar que:

Gabarito: A

Na crise asmática, a gasometria ajuda a dizer se o paciente ainda está “hiperventilando bem” ou se já está cansando. No começo, é comum a pessoa respirar rápido e eliminar mais CO2 do que o normal, o que leva a hipocapnia e alcalose respiratória. O pulmão tenta compensar com uma leve queda do bicarbonato, mas isso é secundário, não é a causa principal do distúrbio. Neste caso, o pH está em 7,42, ou seja, praticamente normal e levemente alcalino. A PaCO2 está baixa, em 32 mmHg, mostrando que a alteração primária é respiratória, com tendência à alcalose. O HCO3 de 20,1 mmol/L e o BE de -3,3 sugerem apenas compensação metabólica discreta, compatível com esse quadro inicial. Outro ponto importante: na crise de asma grave, quando o paciente está piorando, você começa a se preocupar com aumento de PaCO2 e queda de pH, porque isso pode indicar fadiga muscular e falência ventilatória. Aqui acontece o contrário: a paciente ainda está hiperventilando, então o CO2 está baixo, não alto. Em resumo, a lógica da questão é simples: pH quase normal, CO2 baixo e bicarbonato levemente reduzido por compensação. O quadro é de hipocapnia com alcalose respiratória compensada, típico de crise asmática em fase inicial ou ainda sem retenção de CO2.

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