Paciente do sexo masculino com 54 anos de idade apresenta lesão úlcero-infiltrante em borda de língua e assoalho de boca à direita com 3,3cm e pescoço clinicamente negativo. Assinale a opção que indica a rotina diagnóstica, o estadiamento e o tratamento adequado.
- A)Trata-se, provavelmente, de um carcinoma epidermoide de língua, T2N0M0, deve-se proceder à biópsia saca-bucado, solicitar raio-x de tórax e o tratamento adequado é glossopelvectomia simples.
Errada, porque o tumor é de 3,3 cm, o que afasta T2 apenas se houvesse outro critério, e a cirurgia descrita é insuficiente sem o esvaziamento cervical eletivo.
- B)Trata-se, provavelmente, de um carcinoma epidermoide de língua T3N0M0, deve-se proceder à biópsia saca-bocado, solicitar raio-x de tórax e mandíbula, e o tratamento adequado é glossopelvectomia com esvaziamento cervical supra-omohioideo.
Errada, porque 3,3 cm ainda não caracteriza T3 no estadiamento clássico e o esvaziamento supra-omohioideo pode ser adequado, mas a classificação T3 está incorreta.
- C)Trata-se, provavelmente, de um carcinoma epidermoide de língua T2N0M0, deve-se proceder a biópsia saca-bocado, solicitar raio-x de tórax, e o tratamento adequado é glossopelvectomia com esvaziamento cervical radical clássico.
Errada, porque o tratamento com esvaziamento cervical radical clássico é excessivo para pescoço clinicamente negativo, reservando-se para doença cervical mais avançada.
- D)Trata-se, provavelmente, de um carcinoma epidermoide de língua T2N0M0, deve-se proceder a biópsia saca-bocado, solicitar raio-x de tórax, e o tratamento adequado é glossopelvectomia com esvaziamento cervical supraomohioideo.
Certa, porque lesão de 3,3 cm em cavidade oral com pescoço N0 corresponde a T2N0M0 e o tratamento indicado é ressecção com esvaziamento cervical supraomohioideo.
- E)Trata-se, provavelmente, de um tumor de glândula salivar menor, T2N0M0, deve-se solicitar raio-x de tórax e mandíbula, biópsia saca-bucado e o tratamento adequado é a ressecção da lesão.
Errada, porque o quadro sugere carcinoma epidermoide de cavidade oral, não tumor de glândula salivar menor, e o estadiamento e a abordagem propostos não se encaixam no caso.
Gabarito: D
Lesão úlcero-infiltrante em borda de língua e assoalho de boca, em homem de meia-idade, faz pensar primeiro em carcinoma epidermoide de cavidade oral. Nessa topografia, a confirmação diagnóstica é por biópsia saca-bocado ou incisional da lesão, antes de qualquer tratamento definitivo. Para o estadiamento inicial, lesão com 3,3 cm e pescoço clinicamente negativo encaixa em T2N0M0 pelo critério clássico de tamanho, já que mede mais de 2 cm e até 4 cm, sem linfonodos clinicamente suspeitos. O pedido de imagem de tórax entra na rotina para pesquisa de acometimento pulmonar/metástase e, em questões de prova, pode aparecer também avaliação de mandíbula quando a lesão é de assoalho/borda lingual com suspeita de invasão óssea. O ponto decisivo é o tratamento: em tumor de cavidade oral T2N0, a conduta padrão é ressecção do tumor primário com esvaziamento cervical eletivo supraomohioideo, porque há risco relevante de metástase oculta nos linfonodos cervicais. O esvaziamento radical clássico fica para doença cervical evidente e mais extensa, não para pescoço clinicamente negativo. Em termos práticos, a banca quer que você pense: lesão pequena a moderada, boca, N0, cirurgia do tumor mais pescoço seletivo. Então o gabarito D está correto porque reúne os três pilares cobrados: diagnóstico histológico por biópsia, estadiamento T2N0M0 e tratamento cirúrgico com glossopelvectomia associada a esvaziamento supraomohioideo. É aquela questão em que a banca separa quem sabe a topografia e o padrão de drenagem linfática de quem só reconhece o nome bonito da cirurgia.