A síndrome da enterocolite desencadeada por proteína alimentar: “FPIES” (Food Protein Induced Enterocolitis Syndrome) é uma manifestação potencialmente grave da alergia alimentar. Sobre essa doença, assinale a afirmativa correta.
- A)Decorre de reações de hipersensibilidade mistas e seus desencadeantes mais comuns são apenas as proteínas animais.
Errada: a FPIES não é descrita como reação mista nem tem apenas proteínas animais como desencadeantes, pois muitos alimentos vegetais também podem causar o quadro.
- B)É uma doença rara, subdiagnosticada e com pouco acometimento do sistema gastrointestinal, principalmente em crianças com idade abaixo de 2 anos.
Errada: ela é subdiagnosticada, mas não costuma ter pouco acometimento gastrointestinal, já que o trato GI é justamente o principal alvo e a faixa etária típica é a infantil, especialmente nos primeiros anos de vida.
- C)Seu diagnóstico baseia-se na história clínica, dosagem de IgE específica para alimentos suspeitos e colonoscopia.
Errada: o diagnóstico é clínico e a dosagem de IgE específica e a colonoscopia não são critérios diagnósticos de rotina para FPIES.
- D)A ocorrência de vômitos 1 a 4 horas após o consumo do alimento suspeito, na ausência de sintomas respiratórios ou cutâneos mediados por IgE é um critério maior no diagnóstico da FPIES aguda
Certa: vômitos 1 a 4 horas após a ingestão, sem sintomas cutâneos ou respiratórios mediados por IgE, é achado típico e critério maior da FPIES aguda.
- E)A exposição frequente ao alimento suspeito e história clínica de vômitos e diarreia incoercível e grave conferem o diagnóstico de certeza da FPIES crônica.
Errada: a forma crônica pode ocorrer com exposição repetida e sintomas gastrointestinais persistentes, mas isso não configura diagnóstico de certeza isoladamente.
Gabarito: D
A FPIES é uma alergia alimentar não mediada por IgE, geralmente com manifestação gastrointestinal importante e potencialmente grave. Ela aparece muito em lactentes e crianças pequenas, mas também pode ocorrer em outras idades, e costuma ser provocada por alimentos como leite de vaca, soja, arroz, aveia, entre outros. O quadro clássico é de vômitos repetidos, palidez, prostração e, em muitos casos, diarreia, surgindo algumas horas após a ingestão do alimento desencadeante. O ponto-chave é que não se trata da alergia “da urticária e do chiado”. Na FPIES aguda, os sintomas costumam surgir entre 1 e 4 horas após o consumo do alimento, sem sinais cutâneos ou respiratórios mediados por IgE. Por isso, a alternativa D está correta: esse intervalo de tempo e a ausência de manifestações típicas de IgE fazem parte dos critérios maiores usados no diagnóstico da forma aguda. O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado pela história de repetição com o mesmo alimento e pela melhora ao suspender o desencadeante. Dosagem de IgE específica não é o exame que fecha FPIES, porque frequentemente ela é negativa, e colonoscopia não faz parte da rotina diagnóstica. Em caso de dúvida, a prova de provocação oral supervisionada pode ser considerada, com muito cuidado. Na FPIES crônica, o bebê pode ter exposição frequente ao alimento e evoluir com vômitos recorrentes, diarreia e falha de ganho ponderal, mas isso não “fecha” diagnóstico de certeza sozinho. O raciocínio clínico manda aqui: história típica, padrão temporal compatível e exclusão de outras causas. A alergia gosta de confundir, mas nesta síndrome o relógio dos sintomas é uma pista muito valiosa.