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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Homem de 23 anos, apresenta quadro de emagrecimento, tosse e febre há 8 semanas. Durante investigação foi diagnosticada tuberculose pulmonar. Solicitada sorologia para HIV que foi reagente. Exames mostraram uma contagem CD4 de 40 cel/mm3 e carga viral de 86.000 cópias/mL. Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, assinale a conduta terapêutica mais correta.

Gabarito: A

Em paciente com tuberculose ativa e HIV com CD4 muito baixo, a regra é não enrolar: trata-se a TB primeiro, e a terapia antirretroviral (TARV) entra cedo, em geral em até 2 semanas quando o CD4 é menor que 50 cel/mm3. Isso reduz muito o risco de progressao da AIDS e de novas infeccoes oportunistas. Aqui, o esquema antituberculose padrao continua sendo rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol, desde que nao haja contraindicao especifica. O pulo do gato esta na interacao entre rifampicina e os antirretrovirais. A rifampicina induz enzimas metabolicas e derruba niveis de varios ARVs. Por isso, o esquema de primeira linha no SUS com tenofovir + lamivudina + dolutegravir deve ser usado com dolutegravir em dose dobrada durante o uso da rifampicina, ou seja, 50 mg 12/12 h. A genotipagem pode ser solicitada, mas nao deve atrasar o inicio do tratamento. Em cenarios de coinfeccao TB-HIV com imunossupressao importante, a prioridade e iniciar rapidamente os esquemas corretos. E aqui o Ministério da Saude e bem objetivo: TB com rifampicina + TARV precoce com ajuste do dolutegravir. Por isso, a alternativa A e a que melhor traduz a conduta recomendada: trata a tuberculose com o esquema adequado e inicia a TARV no momento certo, com o ajuste necessario por causa da rifampicina. Medicina adora uma interação medicamentosa para testar quem decorou menos e entendeu mais.

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