Uma ginecologista recebeu em seu consultório uma mulher intrigada com as manchas vermelhas na pele que outros quatro médicos não haviam conseguido diagnosticar de modo satisfatório. “Era uma mulher jovem, com parceiro único, que não se achava em risco para infecções sexualmente transmissíveis”, conta a médica. Confirmado por exames de sangue, o diagnóstico indicou sífilis. Adaptado de Fioravanti C., Em silêncio, a sífilis avança. Revista Pesquisa Fapesp, 2021. De acordo com especialistas, a sífilis tornou-se um problema de saúde pública na atualidade, pois
- A)é a mais difusa das infecções sexualmente transmissíveis, já que o contágio se dá por secreções corporais como lágrimas, saliva e esperma.
Errada, porque sífilis não é transmitida por lágrimas, saliva ou esperma de forma geral, e sim principalmente por contato sexual e transmissão vertical.
- B)sua expansão é alimentada pelo desconhecimento de profissionais da saúde, pela dificuldade na interpretação do diagnóstico e no controle da transmissão.
Certa, porque a persistência da sífilis como problema de saúde pública decorre justamente de subdiagnóstico, dificuldades na interpretação dos exames e falhas no controle da transmissão.
- C)é assintomática no primeiro ano, como gonorreia e clamídia, o que transforma o paciente em vetor de transmissão por seu desconhecimento.
Errada, porque a sífilis não é assintomática por um ano nem é comparável a gonorreia e clamídia nesse ponto; além disso, a alternativa mistura conceitos de forma imprecisa.
- D)seu tratamento medicamentoso, mediante retrovirais, é de alto custo, o que sobrecarrega a rede pública de saúde, encarregada da distribuição gratuita do remédio.
Errada, porque o tratamento da sífilis não é com retrovirais, mas com penicilina, que é o fármaco clássico e fornecido na rede pública.
- E)é incurável após cinco anos de infecção intermitente, facilmente atingidos em função do descaso crescente da população quanto ao uso de preservativos.
Errada, porque sífilis não é incurável após cinco anos e não depende de infecção intermitente para evoluir; com tratamento adequado, ela é curável.
Gabarito: B
A sífilis voltou a chamar atenção porque não é uma doença “antiga e resolvida”: ela continua circulando, muitas vezes com diagnóstico tardio ou perdido no caminho. E aí mora o problema - ela pode passar despercebida, especialmente nas fases iniciais, quando as manifestações são discretas ou até ausentes. No caso da questão, o ponto central é que a expansão da sífilis está ligada ao desconhecimento de profissionais de saúde, à dificuldade de interpretar corretamente os testes e ao controle falho da transmissão. Em outras palavras, não basta o paciente não desconfiar: se o profissional também não suspeita, o diagnóstico atrasa e a cadeia de contágio continua andando. A sífilis é causada pelo Treponema pallidum e tem evolução clássica em fases, com sinais variados, o que exige atenção clínica. O diagnóstico costuma combinar avaliação clínica com testes sorológicos, e o tratamento é com penicilina, não com antirretrovirais. Então, quando a banca fala em saúde pública, ela quer que você pense em vigilância, rastreio, tratamento adequado e notificação, não em fantasia farmacológica. Por isso o gabarito é a letra B: ela traduz o motivo real de a sífilis seguir como problema atual de saúde pública, isto é, falhas de suspeição clínica, diagnóstico e controle de transmissão.