Sobre os transplantes e sua imunologia, assinale a afirmativa incorreta.
- A)A rejeição hiperaguda ocorre de minutos a dias após o transplante, é mediada por anticorpos previamente existentes e é evitada com testes de compatibilidade das células do doador com o soro do receptor.
Correta: a rejeição hiperaguda ocorre logo após o transplante, é mediada por anticorpos pré-existentes e é evitada com prova cruzada/compatibilidade prévia.
- B)A rejeição aguda é mediada por linfócitos B, pode ocorrer de dias a meses após o transplante e é a única que pode ser revertida com imunossupressão.
Errada: a rejeição aguda é principalmente mediada por linfócitos T, não por linfócitos B, embora possa ter componente humoral, e a formulação sobre reversibilidade está imprecisa.
- C)A rejeição crônica normalmente ocorre anos após o transplante, é um processo que envolve fibrose do enxerto e seu principal fator de risco é a presença de rejeição aguda prévia.
Correta: a rejeição crônica surge tardiamente, cursa com fibrose do enxerto e a rejeição aguda prévia é fator de risco importante.
- D)A imunossupressão do transplante é dividida em terapias de indução e manutenção, sendo a primeira mais agressiva e com risco aumentado de infecções oportunistas ou malignidades como o linfoma.
Correta: a imunossupressão se divide em indução e manutenção, e a fase de indução costuma ser mais intensa, aumentando risco de infecções e neoplasias.
- E)A imunidade inata é mais reativa a um órgão isquêmico do que propriamente a um órgão transplantado de um ser da mesma espécie.
Correta: a imunidade inata responde fortemente a lesão isquêmica e dano de reperfusão, muitas vezes até mais do que ao enxerto em si.
Gabarito: B
Em transplantes, o ponto central é entender que o sistema imune pode atacar o enxerto em tempos diferentes e por mecanismos diferentes. A rejeição hiperaguda é a mais imediata: aparece em minutos a dias, costuma ser causada por anticorpos pré-formados contra antígenos do doador e é prevenida por testes de compatibilidade, como o crossmatch. Se esse teste aponta anticorpos contra o doador, o enxerto já entra em campo minado. A rejeição aguda, por outro lado, é a clássica resposta imune celular contra o enxerto, geralmente mediada por linfócitos T, podendo também haver componente humoral. Ela surge de dias a meses após o transplante e, ao contrário da crônica, pode sim melhorar com ajuste ou intensificação da imunossupressão, especialmente quando identificada cedo. É aqui que a vigilância clínica e laboratorial faz diferença. A rejeição crônica costuma aparecer depois de meses a anos e leva à fibrose progressiva e perda funcional do enxerto. Um fator de risco importante é a ocorrência de episódios prévios de rejeição aguda, além de agressões repetidas ao longo do tempo. Já a imunossupressão é dividida em indução e manutenção, e a indução tende a ser mais intensa, com maior risco de infecções oportunistas e neoplasias, como linfomas. A imunidade inata também entra no jogo: um órgão isquêmico, com lesão de reperfusão, inflamação e dano tecidual, estimula essa resposta com força. Por isso, a banca gosta de misturar rejeição imunológica com lesão isquêmica para ver se voce separa bem os conceitos. O erro da letra B está em atribuir a rejeição aguda aos linfócitos B e dizer que ela é a única reversível com imunossupressão; o mecanismo principal é linfocitário T, e a reversibilidade não é exclusividade absoluta nesses termos.