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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Sobre os transplantes e sua imunologia, assinale a afirmativa incorreta.

Gabarito: B

Em transplantes, o ponto central é entender que o sistema imune pode atacar o enxerto em tempos diferentes e por mecanismos diferentes. A rejeição hiperaguda é a mais imediata: aparece em minutos a dias, costuma ser causada por anticorpos pré-formados contra antígenos do doador e é prevenida por testes de compatibilidade, como o crossmatch. Se esse teste aponta anticorpos contra o doador, o enxerto já entra em campo minado. A rejeição aguda, por outro lado, é a clássica resposta imune celular contra o enxerto, geralmente mediada por linfócitos T, podendo também haver componente humoral. Ela surge de dias a meses após o transplante e, ao contrário da crônica, pode sim melhorar com ajuste ou intensificação da imunossupressão, especialmente quando identificada cedo. É aqui que a vigilância clínica e laboratorial faz diferença. A rejeição crônica costuma aparecer depois de meses a anos e leva à fibrose progressiva e perda funcional do enxerto. Um fator de risco importante é a ocorrência de episódios prévios de rejeição aguda, além de agressões repetidas ao longo do tempo. Já a imunossupressão é dividida em indução e manutenção, e a indução tende a ser mais intensa, com maior risco de infecções oportunistas e neoplasias, como linfomas. A imunidade inata também entra no jogo: um órgão isquêmico, com lesão de reperfusão, inflamação e dano tecidual, estimula essa resposta com força. Por isso, a banca gosta de misturar rejeição imunológica com lesão isquêmica para ver se voce separa bem os conceitos. O erro da letra B está em atribuir a rejeição aguda aos linfócitos B e dizer que ela é a única reversível com imunossupressão; o mecanismo principal é linfocitário T, e a reversibilidade não é exclusividade absoluta nesses termos.

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