Paciente de 62 anos com lesão vegetante obstruindo quase totalmente a luz do brônquio fonte direito, é encaminhado para recanalização endobrônquica. Sobre as técnicas de recanalização endobrônquica, assinale a afirmativa incorreta.
- A)O uso de broncoscopia rígida é a técnica tradicional, relacionada à maior segurança do procedimento e pode ser associada a outras técnicas.
Correta: a broncoscopia rígida é a técnica tradicional, mais segura em obstruções centrais importantes, e pode ser associada a outros métodos terapêuticos.
- B)Para o uso de laser é necessário utilizar FiO2 100% devido ao risco de hipoxemia.
Errada: no uso de laser, deve-se reduzir a FiO2 para evitar incêndio na via aérea, e não usar FiO2 de 100%.
- C)A recanalização por crioterapia pode ser feita em dois tempos ou, apenas, em uma sessão.
Correta: a crioterapia pode ser realizada em um único tempo ou em dois tempos, conforme a técnica e a resposta desejada.
- D)A técnica de coagulação com plasma de argônio possibilita o não contato direto com o tecido tumoral.
Correta: a coagulação com plasma de argônio é uma técnica sem contato direto com o tumor, útil para coagulação superficial.
- E)A técnica de eletro-cauterização necessita contato direto da sonda com o tumor endobrônquico.
Correta: a eletrocauterização depende de contato direto da sonda com o tumor endobrônquico.
Gabarito: B
A recanalização endobrônquica é usada quando um tumor ou outra lesão está fechando a via aérea e o paciente começa a respirar como se estivesse tentando puxar ar por um canudo entupido. Nesses casos, a broncoscopia rígida costuma ser a base do procedimento, porque dá mais controle da via aérea, melhor aspiração de sangue e secreções, e ainda permite combinar técnicas mecânicas e térmicas no mesmo ato. É por isso que ela é vista como a abordagem tradicional e mais segura em muitos cenários de obstrução central importante. As técnicas podem ser variadas: laser, eletrocautério, plasma de argônio e crioterapia. Cada uma tem seu jeito de agir, mas todas têm o mesmo objetivo prático: abrir a luz do brônquio e devolver ventilação. A crioterapia, por exemplo, pode ser feita de forma imediata em uma sessão ou em dois tempos, dependendo da estratégia e da necrose tumoral. O ponto clássico de prova está no laser. Diferente do que a alternativa sugere, o uso do laser não exige FiO2 de 100%. Na verdade, o oxigênio inspirado deve ser reduzido, geralmente para abaixo de 40%, porque alta fração inspirada de oxigênio aumenta muito o risco de incêndio na via aérea durante procedimentos térmicos. Esse é um cuidado de segurança bem cobrado em pneumologia intervencionista. Já o plasma de argônio e a eletrocauterização têm características próprias: o plasma de argônio atua sem contato direto com o tecido, enquanto a eletrocauterização exige contato da sonda com a lesão. Então, quando a banca mistura o conceito do laser com a ideia de usar oxigênio alto, ela está tentando ver se você cai na armadilha do fogo na broncoscopia.