Paciente do sexo feminino, 28 anos, com neoplasia de ovário metastática, com acometimento peritoneal difuso, em cuidados paliativos exclusivos, dá entrada no pronto-socorro por queixa de parada total de eliminação de fezes há 7 dias, distensão abdominal e náuseas há 2 dias e vômitos incoercíveis há 1 dia. Não faz parte do tratamento medicamentoso da obstrução intestinal maligna dessa paciente:
- A)Haloperidol.
Correta como opção de tratamento, pois o haloperidol é antiemético frequente em cuidados paliativos e ajuda no controle de náuseas e vômitos.
- B)Morfina.
Correta como opção de tratamento, pois a morfina é indicada para controle de dor e desconforto em paciente oncológica em cuidados paliativos.
- C)Escopolamina.
Correta como opção de tratamento, pois a escopolamina reduz secreções e espasmos, sendo útil na obstrução intestinal maligna sintomática.
- D)Bromoprida.
Errada, porque a bromoprida é procinética e pode agravar uma obstrução mecânica ao aumentar a motilidade intestinal.
- E)Dexametasona.
Correta como opção de tratamento, pois a dexametasona pode reduzir edema e inflamação e trazer alívio sintomático na obstrução maligna.
Gabarito: D
A obstrução intestinal maligna em paciente em cuidados paliativos pede foco em conforto, controle de sintomas e redução de secreções e inflamação. Como o quadro costuma cursar com dor, náuseas, vômitos e muito desconforto abdominal, o tratamento medicamentoso costuma combinar analgésico opioide, antiemético, corticoide e antissecretor, além de medidas de hidratação e jejum conforme a meta paliativa. Nessa situação, morfina pode ser usada para analgesia, haloperidol é um antiemético muito útil nos cuidados paliativos, e escopolamina ajuda a diminuir cólicas e secreções gastrointestinais. A dexametasona também pode ser empregada porque reduz edema tumoral e inflamação, podendo até melhorar transitoriamente a passagem do conteúdo intestinal em alguns casos. O ponto-chave da questão é que a bromoprida não faz parte do tratamento medicamentoso da obstrução intestinal maligna. Ela é um procinético, ou seja, estimula a motilidade gastrointestinal, e isso é justamente o tipo de efeito que pode piorar uma obstrução mecânica, aumentando dor, cólica e risco de sofrimento sem resolver o bloqueio. Em provas, a lógica é simples: em obstrução intestinal por câncer avançado, você pensa em aliviar sintomas, não em “empurrar” o intestino contra uma barreira. Por isso, a banca costuma cobrar o raciocínio de segurança farmacológica mais do que um detalhe decorativo de prescrição.