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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo feminino, 28 anos, com neoplasia de ovário metastática, com acometimento peritoneal difuso, em cuidados paliativos exclusivos, dá entrada no pronto-socorro por queixa de parada total de eliminação de fezes há 7 dias, distensão abdominal e náuseas há 2 dias e vômitos incoercíveis há 1 dia. Não faz parte do tratamento medicamentoso da obstrução intestinal maligna dessa paciente:

Gabarito: D

A obstrução intestinal maligna em paciente em cuidados paliativos pede foco em conforto, controle de sintomas e redução de secreções e inflamação. Como o quadro costuma cursar com dor, náuseas, vômitos e muito desconforto abdominal, o tratamento medicamentoso costuma combinar analgésico opioide, antiemético, corticoide e antissecretor, além de medidas de hidratação e jejum conforme a meta paliativa. Nessa situação, morfina pode ser usada para analgesia, haloperidol é um antiemético muito útil nos cuidados paliativos, e escopolamina ajuda a diminuir cólicas e secreções gastrointestinais. A dexametasona também pode ser empregada porque reduz edema tumoral e inflamação, podendo até melhorar transitoriamente a passagem do conteúdo intestinal em alguns casos. O ponto-chave da questão é que a bromoprida não faz parte do tratamento medicamentoso da obstrução intestinal maligna. Ela é um procinético, ou seja, estimula a motilidade gastrointestinal, e isso é justamente o tipo de efeito que pode piorar uma obstrução mecânica, aumentando dor, cólica e risco de sofrimento sem resolver o bloqueio. Em provas, a lógica é simples: em obstrução intestinal por câncer avançado, você pensa em aliviar sintomas, não em “empurrar” o intestino contra uma barreira. Por isso, a banca costuma cobrar o raciocínio de segurança farmacológica mais do que um detalhe decorativo de prescrição.

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