Com relação à avaliação auditiva, assinale a afirmativa correta.
- A)As curvas timpanométricas do tipo A, B e C geralmente estão associadas respectivamente às orelhas normais, à presença de líquido/massa na orelha média e à presença de pressão negativa na cavidade timpânica.
Certa: a curva A costuma ser normal, a B sugere líquido ou redução importante de complacência na orelha média, e a C indica pressão negativa na cavidade timpânica.
- B)A hidropsia endolinfática não pode ser detectada pela eletrococleografia, por ser um potencial evocado tardio, que surge depois de 25 milisegundos.
Errada: a hidropsia endolinfática pode ser avaliada por eletrococleografia, e o exame não é um potencial evocado tardio.
- C)Na pesquisa dos potenciais auditivos de troncoencefálico obtém-se atividade eletrofisiológica apenas a partir de complexo olivar superior.
Errada: o PEATE registra respostas ao longo da via auditiva até o tronco encefálico, não apenas a partir do complexo olivar superior.
- D)A pesquisa dos potenciais auditivos de troncoencefálico não permite o diagnóstico da neuropatia auditiva ou de lesões retrococleares.
Errada: o PEATE ajuda justamente na investigação de neuropatia auditiva e de lesões retrococleares.
- E)As audiometrias tonal e vocal são exames objetivos da audição.
Errada: audiometria tonal e vocal dependem da cooperação do paciente, portanto são exames subjetivos, não objetivos.
Gabarito: A
A avaliação auditiva reúne exames diferentes, e cada um “enxerga” um pedaço do problema. A timpanometria ajuda a avaliar a orelha média e a mobilidade da membrana timpânica, enquanto a audiometria, os potenciais evocados e outros testes mostram se a perda é condutiva, coclear ou retrococlear. Em prova, a banca adora misturar o nome do exame com a função dele, então vale manter a cabeça fria e lembrar o papel de cada método. Na timpanometria, a curva tipo A costuma aparecer em orelhas normais. A curva tipo B, em geral, sugere pouca ou nenhuma complacência do sistema tímpano-ossicular, o que acontece com frequência quando há líquido na orelha média, mas também pode ocorrer em outras situações de massa ou perfuração, dependendo do contexto e do volume do meato. Já a curva tipo C aponta pressão negativa na cavidade timpânica, geralmente relacionada à disfunção da tuba auditiva. Por isso, a associação descrita na alternativa A está correta. A hidropsia endolinfática pode, sim, ser investigada por eletrococleografia, porque esse exame avalia potenciais precoces da cóclea e do nervo auditivo, como o aumento da relação entre o potencial de somação e o potencial de ação. E os potenciais evocados auditivos de tronco encefálico, os famosos PEATE/BERA, não se limitam ao complexo olivar superior: eles avaliam toda a via auditiva até o tronco encefálico, sendo úteis inclusive na suspeita de neuropatia auditiva e lesões retrococleares. Por fim, audiometrias tonal e vocal não são exames objetivos, e sim subjetivos, porque dependem da resposta do paciente. Exames objetivos da audição incluem, por exemplo, emissões otoacústicas, imitanciometria e PEATE. Ou seja: a alternativa correta é a A porque descreve corretamente a leitura clássica das curvas timpanométricas.