Paciente de 60 anos com dor abdominal inespecífica procura atendimento médico e é submetido a ultrassonografia de abdome. No exame observa-se lesão cística de 1,3cm com paredes lisas e conteúdo homogêneo em cabeça do pâncreas. Sobre as lesões císticas pancreáticas, assinale a afirmativa correta.
- A)Deve ser submetido a colangiografia retrógrada endoscópica com biópsia e dosagem de CA 125.
Errada, porque CPRE não é exame de rotina para lesão cística pancreática incidental, e CA 125 não é marcador indicado para essa avaliação.
- B)Deve ser submetido a resseção cirúrgica imediata pelo tamanho da lesão.
Errada, porque o tamanho isolado de 1,3 cm não indica ressecção imediata; é preciso antes estratificar risco com exame de melhor caracterização.
- C)Deve ser submetido a ultrassonografia endoscópica com aspiração do conteúdo cístico e, se for seroso, operá-lo.
Errada, porque a ecoendoscopia com punção pode ser útil em casos selecionados, mas não se opera cisto seroso de rotina, já que ele costuma ser benigno.
- D)Deve ser submetido a colangiorresonancia de abdome e observar se há sinais de malignidade.
Certa, porque a colangiorressonância é o exame adequado para melhor caracterizar a lesão e pesquisar sinais de malignidade antes de definir conduta.
- E)Deve ser submetido a tomografia computadorizada com contraste para diferenciar lesões mucinosa das lesões serosas.
Errada, porque a tomografia com contraste pode ajudar na avaliação, mas não é o melhor exame para diferenciar com precisão lesões mucinosas das serosas.
Gabarito: D
Lesão cística no pâncreas em paciente de 60 anos exige pensar primeiro se há sinais de risco para malignidade, e não sair correndo para cirurgia por causa do tamanho isolado. Em geral, a avaliação inicial mais útil é a colangiorressonância (RM com CPRM), porque ela define melhor a anatomia da lesão, a comunicação com o ducto pancreático e os sinais suspeitos, como nódulo mural, septações, dilatação do ducto e espessamento de parede. As lesões císticas pancreáticas podem ser benignas, pré-malignas ou malignas, e a conduta depende do tipo e dos achados de imagem. Cistos serosos costumam ter baixo risco de câncer e, quando pequenos e assintomáticos, geralmente são apenas observados. Já as lesões mucinosas e os IPMNs merecem vigilância mais cuidadosa, porque podem evoluir para neoplasia. Por isso, a alternativa D está correta: a conduta adequada é fazer colangiorressonância de abdome e procurar sinais de malignidade antes de decidir por intervenção. A ultrassonografia mostrou uma lesão pequena, de paredes lisas e conteúdo homogêneo, o que não impõe cirurgia imediata. Em prova, lembre-se: RM é a melhor etapa para estratificar risco em cisto pancreático incidental. Em termos práticos, o raciocínio é sempre este: primeiro caracterizar melhor a lesão, depois decidir se acompanha, investiga com ecoendoscopia ou opera. A banca gosta bastante dessa lógica de imagem inicial e estratificação de risco, em vez de tratamento precipitado.