Uma paciente, sexo feminino, 34 anos, foi encaminhada para atendimento com relato de litíase urinária de repetição há 5 anos, observando-se sinais de nefrocalcinose na tomografia computadorizada. Exames: Hematócrito 40%, hemoglobina 13g%, leucócitos 6500/mm3, glicemia 102mg%, ureia 35mg%, creatinina 0,70mg%, ácido úrico 5,5mg%, sódio 141mEq/L, potássio 4,2mEq/L, cloro 102mEq/L, cálcio 12,5mg%, fósforo 2,2mg%, reserva alcalina 26,5mEq e paratormônio (PTH) 153pg/mL. A esse respeito, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) A alcalinização urinária, para atingir um pH mínimo de 8,0, é essencial para reduzir a formação dos cálculos da paciente. ( ) A causa mais provável da formação dos cálculos desta paciente é o hiperparatireoidismo primário. ( ) A reposição de calcitriol oral e vitamina D3 está indicada, sendo fundamental na redução do PTH e na calcemia da paciente. As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
- A)V – V – V.
Errada, porque alcalinização urinária até pH 8,0 não é a conduta para litíase por hipercalcemia/hiperparatireoidismo primário.
- B)F – V – F.
Certa, porque o quadro laboratorial e clínico é típico de hiperparatireoidismo primário como causa da litíase e da nefrocalcinose.
- C)F – F – F.
Errada, porque calcitriol e vitamina D3 não reduzem PTH nem calcemia nesse contexto e podem até agravar a hipercalcemia.
- D)V – V – F.
Errada, porque a primeira e a terceira afirmativas estão incorretas, embora a segunda esteja correta.
- E)F – F – V.
Errada, porque a segunda afirmativa é verdadeira e a primeira não é.
Gabarito: B
A paciente tem um quadro bem típico de hiperparatireoidismo primário: cálcio alto, fósforo baixo e PTH alto, além de litíase urinária de repetição e nefrocalcinose. Nesse cenário, o excesso de PTH aumenta a reabsorção óssea e a calcemia, favorecendo hipercalciúria e a formação de cálculos. A tomografia mostrando nefrocalcinose praticamente acende a luz amarela do diagnóstico, porque o rim costuma ser uma das primeiras vítimas do excesso de cálcio circulante. A primeira afirmativa está errada porque alcalinizar a urina até pH 8,0 não é estratégia para esse tipo de cálculo. Isso é mais útil em litíase por ácido úrico ou cistina, não em cálculos por hiperparatireoidismo, em que o problema central é o cálcio alto. Aqui, o foco é tratar a causa de base, não ficar “temperando” a urina sem necessidade. A segunda afirmativa está correta: o hiperparatireoidismo primário é a causa mais provável dos cálculos desta paciente. O conjunto laboratório + clínica fecha bem: hipercalcemia, hipofosfatemia, PTH elevado e complicações renais. Em prova, esse padrão é clássico e a banca adora quando você reconhece o trio cálcio alto, fósforo baixo e PTH alto sem piscar. A terceira afirmativa está errada. Reposição de calcitriol e vitamina D3 não é tratamento para reduzir PTH e calcemia no hiperparatireoidismo primário; ao contrário, pode piorar a hipercalcemia se usada sem critério. O tratamento definitivo, quando indicado, costuma ser cirúrgico, e a suplementação de vitamina D só entra com avaliação cuidadosa em casos selecionados.