Em relação ao tratamento do lúpus eritematoso sistêmico, assinale a afirmativa correta.
- A)A hidroxicloroquina não é recomendada nas formas graves da doença.
Errada, porque a hidroxicloroquina é recomendada de forma ampla no LES, inclusive como droga de manutenção e benefício global da doença.
- B)O belimumabe mostrou-se eficaz para pacientes com lúpus ativo do sistema nervoso central.
Errada, porque o belimumabe atua no LES sistêmico ativo, mas não é considerado tratamento eficaz consagrado para lúpus ativo do sistema nervoso central.
- C)O micofenolato de mofetila deve ser a indução preferencial na nefrite lúpica em afrodescendentes.
Certa, porque o micofenolato mofetila é uma opção preferencial de indução na nefrite lúpica em afrodescendentes.
- D)O rituximabe, em ensaios clínicos, demonstrou eficácia quando há envolvimento renal grave e refratário.
Errada, porque o rituximabe é reservado a situações selecionadas e refratárias, sem demonstração sólida em ensaios clínicos para nefrite renal grave.
- E)O principal efeito adverso da azatioprina é a intolerância gástrica.
Errada, porque o principal efeito adverso da azatioprina é mielossupressão, com hepatotoxicidade e hipersensibilidade também relevantes.
Gabarito: C
No lúpus eritematoso sistêmico, o tratamento costuma ser montado em camadas: hidroxi-cloroquina para praticamente todos, corticosteroide quando há atividade inflamatória e imunossupressores/imunobiológicos conforme o órgão atingido e a gravidade. A ideia é simples: controlar a doença sem sair atirando com canhão para todo lado, porque o custo dos efeitos adversos pode ser alto. A hidroxicloroquina é a queridinha do controle de base do LES e, em geral, não fica de fora nem nas formas mais graves, desde que não haja contraindicação. Já belimumabe tem papel no LES sistêmico ativo, mas não é um remédio clássico para neuro-lúpus. Rituximabe pode ser usado em casos refratários na prática, mas não é a estrela dos ensaios clínicos para nefrite lúpica grave. Azatioprina também é muito usada, mas seu efeito adverso mais lembrado é mielossupressão e hepatotoxicidade, não apenas intolerância gástrica. O ponto cobrado na letra C é o perfil de nefrite lúpica em afrodescendentes. Nessa população, o micofenolato mofetila se destaca como opção preferencial de indução, com boa resposta e melhor desempenho em comparação com algumas estratégias clássicas com ciclofosfamida em diversos cenários. Por isso, a afirmativa está correta e é a melhor resposta da questão. Em resumo: LES pede tratamento individualizado por órgão-alvo, e a nefrite lúpica em afrodescendentes é um cenário em que o micofenolato ganha protagonismo. Em prova, quando aparecer 'nefrite lúpica' + 'população de maior risco', desconfie de respostas genéricas e procure a droga com melhor desempenho reconhecido nas diretrizes.