O refluxo gastroesofágico (RGE) é uma das queixas mais frequentes no consultório de gastroenterologia pediátrica. A respeito do RGE, assinale a afirmativa correta.
- A)A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) associa-se a esofagite, manifestações respiratórias e déficit nutricionais.
Certa: a DRGE pode causar esofagite, sintomas respiratórios e déficit nutricional, especialmente quando há repercussão clínica significativa.
- B)O diagnóstico diferencial entre RGE e DRGE requer estudo contrastado do esôfago.
Errada: o diagnóstico diferencial entre RGE fisiológico e DRGE é principalmente clínico, e estudo contrastado do esôfago não é exame de rotina para isso.
- C)O RGE do lactente apresenta evolução linear com resolução após a introdução alimentar.
Errada: o RGE do lactente costuma melhorar com o tempo e com o desenvolvimento, não por uma evolução linear ligada apenas à introdução alimentar.
- D)A síndrome de Sandifer é caracterizada por apneia, cianose e perda do tônus muscular.
Errada: a síndrome de Sandifer é tipicamente associada a distonia/posturas anormais, e não a apneia, cianose e perda do tônus muscular.
- E)No RGE está indicado o uso de inibidores de bomba de prótons a fim de diminuir os episódios de regurgitação.
Errada: inibidores de bomba de prótons não são indicados para diminuir episódios de regurgitação no RGE fisiológico; seu uso fica restrito a situações selecionadas de DRGE.
Gabarito: A
O refluxo gastroesofágico (RGE) é muito comum na infância e, na maioria das vezes, é fisiológico: o bebê regurgita, mas continua ganhando peso, sem complicações importantes. Já a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) aparece quando esse refluxo passa a causar dano ou sintomas relevantes. Aí entram esofagite, dor, recusa alimentar, irritabilidade, sintomas respiratórios e até prejuízo nutricional. É o clássico caso em que o “vai e volta” deixa de ser inocente e começa a atrapalhar a vida do paciente. Por isso, a alternativa A está correta: a DRGE pode se associar a esofagite, manifestações respiratórias e déficit nutricional. Em pediatria, isso é bem cobrado porque o refluxo simples do lactente nem sempre precisa de remédio, mas a DRGE exige olhar clínico mais atento, principalmente se houver perda de peso, hematêmese, anemia ou sintomas respiratórios recorrentes. As demais alternativas tentam confundir você com exames e diagnósticos exagerados. Em geral, o diagnóstico é clínico, e exames como contraste, pHmetria ou endoscopia ficam para situações selecionadas, não para separar rotineiramente refluxo fisiológico de doença. O manejo costuma priorizar medidas posturais e alimentares, reservando medicamento quando há indicação clara. Então, lembre a lógica da prova: refluxo pode ser normal no lactente, mas quando causa lesão ou repercussão sistêmica, vira DRGE. Aí sim aparecem esofagite, sintomas respiratórios e comprometimento nutricional.