Assinale a opção que indica a situação clínica mais indicada para hemotransfusão.
- A)Homem, 48 anos, ASA P4, colecistectomia videolaparoscópica, Hb de 8.0 g/dL, ScvO2 de 71%.
Errada, porque Hb de 8,0 g/dL e ScvO2 de 71% não sugerem, isoladamente, necessidade clara de transfusão em um paciente sem evidência de hipoperfusão.
- B)Mulher, 58 anos, ASA P3, colectomia total aberta, Hb de 7.0 g/dL, ScvO2 de 65%.
Certa, pois Hb de 7,0 g/dL associada a ScvO2 de 65% após cirurgia abdominal grande sugere oferta de oxigênio insuficiente e boa indicação de hemotransfusão.
- C)Mulher, 22 anos, ASA P1, histerectomia total aberta, Hb de 7.0 g/dL, ScvO2 de 74%.
Errada, porque apesar da Hb de 7,0 g/dL, a ScvO2 de 74% sugere oferta de oxigênio preservada e não há dado clínico que imponha transfusão.
- D)Homem, 72 anos, ASA P2, osteossíntese de fêmur, Hb de 9.0 g/dL, ScvO2 de 68%.
Errada, porque Hb de 9,0 g/dL está acima do limiar habitual de transfusão em paciente estável, mesmo no contexto de cirurgia ortopédica.
- E)Mulher, 90 anos, ASA P3, cirurgia de catarata, Hb de 7.8 g/dL, ScvO2 de 70%.
Errada, porque catarata é cirurgia de pequeno porte e Hb de 7,8 g/dL com ScvO2 de 70% não caracteriza indicação típica de hemotransfusão.
Gabarito: B
A indicação de hemotransfusão hoje é, em geral, restritiva: não basta olhar o número da hemoglobina isoladamente, você precisa pensar na perfusão tecidual, sangramento ativo, sintomas e contexto clínico. Em muitos pacientes estáveis, a transfusão é considerada quando a Hb cai para cerca de 7 g/dL. Se houver doença cardiovascular importante, isquemia, instabilidade hemodinâmica ou sinais de baixa entrega de oxigênio, a decisão pode ser antecipada. Na prática da medicina intensiva e do perioperatório, a ScvO2 ajuda a dar pistas sobre o equilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio. Quando ela está baixa, como 65%, isso sugere que o organismo está extraindo mais oxigênio do que gostaria, o que reforça a suspeita de oferta insuficiente. Se isso vem junto de cirurgia de grande porte e hemoglobina no limite, o cenário fica bem mais favorável para transfundir. Por isso, a alternativa B é a mais indicada: paciente em pós-operatório de colectomia total aberta, com Hb de 7,0 g/dL e ScvO2 de 65%, ou seja, quadro compatível com maior risco de hipoxia tecidual e necessidade de otimizar transporte de oxigênio. As diretrizes de transfusão em pacientes estáveis costumam usar limiar em torno de 7 g/dL, mas sempre com julgamento clínico, especialmente em cirurgia de grande porte e em sinais de má oferta de oxigênio. As outras alternativas tentam seduzir com hemoglobina baixa ou idade avançada, mas transfusão não é por idade nem por “pena da taxa”. O que manda é o contexto: estabilidade, sangramento, oxigenação e perfusão. Aqui, a banca quer que você pense como intensivista, não como contador de hemoglobina.