Paciente de 5 anos, masculino, apresenta febre há mais de 24hs, hiperemia de orofaringe, adenomegalias cervicais. Evoluiu com prostração e diminuição da diurese. Internado em CTI, realizou ECO que evidenciou aneurisma de tronco de coronária esquerda. Evoluiu com rash cutâneo durante a internação. Assinale a opção que indica o diagnóstico mais provável.
- A)Sarampo.
Sarampo causa febre e rash, mas não explica aneurisma de coronária nem o conjunto de sinais mucocutâneos descritos.
- B)Adenovirose.
Adenovirose pode simular febre, faringite e conjuntivite, porém não costuma cursar com aneurisma coronariano.
- C)Escarlatina.
Escarlatina pode dar febre, faringite e exantema, mas a lesão coronariana e o padrão inflamatório apontam para outra causa.
- D)Febre reumática.
Febre reumática pode afetar coração, mas o quadro clínico e o aneurisma de coronária não são o padrão esperado.
- E)Síndrome de Kawasaki.
Síndrome de Kawasaki é a melhor resposta, porque febre persistente, alterações mucocutâneas, linfonodomegalia e aneurisma de coronária são achados clássicos.
Gabarito: E
A síndrome de Kawasaki é uma vasculite aguda da infância e costuma aparecer em crianças pequenas, com febre persistente e sinais inflamatórios mucocutâneos. O quadro clássico inclui febre por pelo menos 5 dias, conjuntivite não purulenta, alterações de mucosa oral, exantema, alteração de extremidades e linfonodomegalia cervical. Em provas, quando a criança febril começa a juntar pele, boca, gânglios e olhos, acende a luz da Kawasaki. Neste caso, a pista que praticamente fecha o diagnóstico é o aneurisma de coronária no ecocardiograma. Isso é uma complicação típica e importante da Kawasaki, porque a doença pode acometer artérias de médio calibre, principalmente as coronárias. Por isso o ECO é tão cobrado: ele não serve só para confirmar gravidade, mas também para mostrar o risco cardiovascular da doença. O rash durante a internação também combina com o quadro, assim como a hiperemia de orofaringe e as adenomegalias cervicais. A prostração e a diminuição da diurese reforçam um estado inflamatório sistêmico importante. O ponto central aqui é ligar febre + mucocutâneo + coronária, combinação muito mais sugestiva de Kawasaki do que de infecção exantemática comum. Na prática, o tratamento clássico é imunoglobulina intravenosa associada a ácido acetilsalicílico, para reduzir a inflamação e o risco de aneurisma coronariano. Em resumo: criança com febre persistente, sinais de mucosa e linfonodos, depois rash e, principalmente, aneurisma de coronária no ECO, pensa primeiro em síndrome de Kawasaki.