Mulher jovem, obesa, apresentando cefaleia intensa de duração prolongada, distúrbios visuais transitórios, zumbidos, dor retrobulbar e diplopia, com punção lombar que demonstrou elevada pressão liquórica. Foi submetida à ressonância magnética do crânio que demonstrou abaulamento proeminente dos discos ópticos e redundância das bainhas ópticas. A Angioressonância venosa demonstrou estreitamento bilateral dos seios transversos. Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.
- A)Doença de Graves.
Doença de Graves pode causar sinais oculares, mas não explica o aumento da pressão liquórica nem o padrão de hipertensão intracraniana descrito.
- B)Hipertensão Intracraniana Idiopática.
Correta: o conjunto de mulher jovem obesa, cefaleia, alterações visuais, papiledema e pressão liquórica elevada é clássico de hipertensão intracraniana idiopática.
- C)Fístula Dural.
Fístula dural pode causar zumbido pulsátil e hipertensão venosa, mas a questão traz um quadro bem típico de hipertensão intracraniana idiopática com achados de imagem compatíveis.
- D)Síndrome de Tolosa-Hunt.
Síndrome de Tolosa-Hunt causa dor orbitária e oftalmoplegia por inflamação granulomatosa, mas não costuma cursar com pressão liquórica elevada e papiledema.
- E)Fístula Carótido-Cavernosa.
Fístula carótido-cavernosa pode dar dor, diplopia e congestão ocular, porém o conjunto clínico e radiológico da questão aponta para hipertensão intracraniana idiopática.
Gabarito: B
O quadro descreve uma síndrome de hipertensão intracraniana sem lesão expansiva, típica em mulher jovem com obesidade, cefaleia prolongada, alterações visuais transitórias, zumbidos pulsáteis, dor retrobulbar e diplopia. A punção lombar com pressão liquórica elevada fecha bem a ideia de aumento da pressão intracraniana, e a ressonância ajuda a afastar outras causas estruturais, mostrando sinais indiretos como abaulamento dos discos ópticos e redundância das bainhas ópticas. Na hipertensão intracraniana idiopática, também chamada de pseudotumor cerebral, o problema é exatamente esse: a pressão dentro do crânio sobe, mas sem tumor, sem hidrocefalia obstrutiva e sem outra explicação evidente. Por isso, os sintomas costumam girar em torno de cefaleia, papiledema, diplopia por paralisia do VI nervo e queixas visuais intermitentes. É o tipo de caso em que o exame neurológico e a fundoscopia mandam mais que o drama da cefaleia. A angioressonância com estreitamento bilateral dos seios transversos é um achado muito associado a esse diagnóstico e reforça a suspeita clínica. Na prática, o raciocínio é: paciente com perfil típico + pressão liquórica alta + sinais de hipertensão intracraniana + sem causa secundária clara = hipertensão intracraniana idiopática. As alternativas com fístulas e síndrome inflamatória orbitária podem até lembrar por diplopia, dor ocular ou zumbido, mas não fecham tão bem quanto o conjunto completo da questão. Por isso, o gabarito é a letra B.