A respeito do tratamento do traumatismo crânio-encefálico, assinale a afirmativa correta.
- A)A hiponatremia e a hipotensão devem ser evitadas com o uso de fluidos hipotônicos.
Errada: soluções hipotônicas devem ser evitadas no TCE, porque podem piorar edema cerebral e a hipotensão deve ser tratada com fluidos isotônicos.
- B)A hiperventilação deve ser estimulada, para que haja hipocapnia e vasodilatação cerebral.
Errada: a hiperventilação pode reduzir a PIC, mas não deve ser estimulada de rotina, e a hipocapnia causa vasoconstrição, não vasodilatação cerebral.
- C)Os anticonvulsivantes devem ser utilizados precocemente, pois melhoram o prognóstico das convulsões pós-traumáticas a curto e a longo prazo.
Errada: anticonvulsivantes podem prevenir crises precoces em casos selecionados, mas não melhoram o prognóstico a longo prazo das convulsões pós-traumáticas.
- D)Os barbitúricos são efetivos na redução da pressão intracraniana refratária a outras medidas, e podem ser usados mesmo quando há hipotensão arterial.
Errada: barbitúricos podem ser usados em hipertensão intracraniana refratária, mas tendem a piorar a hipotensão e não são indicados quando a pressão arterial está baixa.
- E)O manitol não deve ser administrado a pacientes com hipotensão, pois nestes casos não diminui a pressão intracraniana.
Certa: o manitol exige estabilidade hemodinâmica, pois na hipotensão ele pode agravar a volemia e não é eficaz para reduzir a pressão intracraniana.
Gabarito: E
No traumatismo crânio-encefálico, o tratamento inicial sempre gira em torno de duas metas simples e vitais: manter perfusão cerebral adequada e evitar qualquer coisa que piore o edema ou aumente a pressão intracraniana. Por isso, costuma-se preferir reposição volêmica com soluções isotônicas, controle de oxigenação e cuidado com a ventilação. Aqui, a lógica é bem prática: o cérebro traumatizado não gosta de hipotensão, hipoxemia nem de manobras agressivas sem indicação. Um ponto clássico é o uso do manitol. Ele pode ser útil para reduzir a pressão intracraniana, mas depende de hemodinâmica estável. Se o paciente está hipotenso, o manitol pode piorar a volemia por efeito osmótico e não entregar o benefício esperado na pressão intracraniana, porque a perfusão cerebral já está comprometida. Em outras palavras, em choque ou hipotensão, ele vira mais problema do que solução. Também vale lembrar que hiperventilação não deve ser feita de rotina, porque a hipocapnia causa vasoconstrição cerebral e pode reduzir o fluxo sanguíneo para o cérebro lesado. Anticonvulsivantes podem ser usados em situações selecionadas para prevenção precoce de crises, mas não melhoram prognóstico de longo prazo. Barbitúricos e hiperventilação são medidas de resgate em cenários específicos, sempre com muito cuidado com a pressão arterial. Assim, a alternativa correta é a que diz que o manitol não deve ser administrado a pacientes com hipotensão, pois nesses casos ele não diminui adequadamente a pressão intracraniana e ainda pode piorar a instabilidade hemodinâmica.