Um lactente de 12 meses chega à emergência do hospital com quadro de sonolência e recusa alimentar iniciadas 12 horas antes. Ao exame físico, apresentava hipotermia, letargia, palidez cutâneo-mucosa, taquicardia, pulsos finos, perfusão capilar > 3 segundos e extremidades muito frias, sem outras alterações ao exame. Sobre o diagnóstico e o manejo do quadro, assinale a afirmativa correta.
- A)A ausência de febre afasta as causas infecciosas, portanto, o lactente deve receber hidratação venosa e não há necessidade de antibioticoterapia empírica.
Errada: a ausência de febre não afasta sepse em lactentes, e em quadro com sinais de choque a antibioticoterapia empírica não deve ser omitida.
- B)O lactente possui sinais de gravidade para sepse e deve receber hidratação venosa enquanto aguarda os exames laboratoriais para avaliar a necessidade de antibioticoterapia empírica.
Errada: em sepse com sinais de gravidade, a antibioticoterapia não deve aguardar exames laboratoriais, porque isso atrasa tratamento e piora desfecho.
- C)O lactente possui sinais de gravidade para sepse e deve receber hidratação venosa e antibioticoterapia empírica mesmo antes dos resultados dos exames laboratoriais.
Certa: o quadro é compatível com sepse/choque séptico e exige hidratação venosa e antibiótico empírico imediatos, sem esperar exames.
- D)O lactente possui sinais de gravidade para sepse e deve receber antibioticoterapia empírica imediatamente, porém só deve receber hidratação venosa após aferição da pressão arterial.
Errada: a reposição volêmica não deve ser adiada para depois da pressão arterial; a clínica de hipoperfusão já indica intervenção urgente.
- E)O lactente possui sinais de gravidade para sepse e deve receber antibioticoterapia empírica e infusão de inotrópico periférico venoso imediatamente.
Errada: inotrópico não é a primeira medida isolada e, além disso, a escolha do suporte hemodinâmico depende da resposta à reposição volêmica e da avaliação da perfusão.
Gabarito: C
Este caso descreve um lactente em choque séptico, provavelmente em fase fria: ele tem sonolência, recusa alimentar, hipotermia, letargia, pulsos finos, perfusão capilar lenta e extremidades frias. Em pediatria, febre não é obrigatória para infecção grave. Criança pequena pode chegar grave, sem febre e até hipotérmica, então o raciocínio precisa olhar a perfusão e o estado geral, não apenas a temperatura. Quando há suspeita de sepse com sinais de má perfusão, o tratamento não espera a novela dos exames. Primeiro vêm as medidas de ressuscitação: acesso venoso, oxigênio se necessário, expansão com cristalóide isotônico e antibioticoterapia empírica o quanto antes, idealmente na primeira hora após reconhecimento do quadro. Exames laboratoriais ajudam, claro, mas não podem atrasar antibiótico em um paciente com sinais de choque. Por isso, a alternativa C está correta: o lactente tem sinais de gravidade compatíveis com sepse e deve receber hidratação venosa e antibioticoterapia empírica imediatamente, antes do resultado dos exames. Em pediatria, o tempo é ouro, porque atraso no antibiótico piora prognóstico. A banca gosta justamente de testar se voce percebe que "esperar exame" em sepse grave é um erro clássico. Se aparecer um lactente com perfusão ruim, extremidades frias, taquicardia e letargia, pense primeiro em choque séptico até prova em contrário. O manejo é imediato e agressivo, não contemplativo. Em outras palavras: criança fria e mal perfundida não entra em fila de espera.