Conforme as III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para o teste ergométrico, constitui recomendação classe III (não há evidências ou consenso de que o procedimento é útil ou eficaz) para o emprego do método com o objetivo de diagnosticar doença coronária obstrutiva, EXCETO:
- A)Presença de bloqueio do ramo esquerdo.
Errada, porque o bloqueio de ramo esquerdo dificulta a interpretação do ST e torna o teste pouco útil para diagnosticar isquemia.
- B)Presença de depressão do segmento ST maior que 1,0 mm em repouso.
Errada, porque depressão de ST maior que 1 mm em repouso já compromete a análise do segmento ST no esforço.
- C)Presença de ritmo de marca-passo.
Errada, porque o ritmo de marca-passo gera alterações de condução que limitam a avaliação do teste para coronariopatia obstrutiva.
- D)Presença de Síndrome de Wolf Parkinson White
Errada, porque a síndrome de Wolff-Parkinson-White altera a despolarização/repolarização e prejudica a leitura do exame.
- E)Presença de bloqueio do ramo direito.
Certa, porque o bloqueio de ramo direito não é, em regra, uma condição de classe III para o teste ergométrico com finalidade diagnóstica de doença coronária obstrutiva.
Gabarito: E
O teste ergométrico é excelente para avaliar sintomas, capacidade funcional e resposta hemodinâmica ao esforço, mas ele depende de um eletrocardiograma basal minimamente interpretável. Quando o traçado de repouso já vem “bagunçado”, o exame perde valor para diagnosticar doença coronária obstrutiva. Por isso, as III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia colocam várias situações como recomendação classe III para esse fim: bloqueio de ramo esquerdo, ritmo de marca-passo, síndrome de Wolff-Parkinson-White e depressão de ST maior que 1 mm em repouso. A lógica é simples: se o ECG já traz alterações de repolarização ou condução, o segmento ST durante o exercício fica difícil de interpretar. O teste até pode ser feito por outros objetivos, como estratificação funcional ou avaliação de sintomas, mas não serve bem como método diagnóstico para isquemia nessas condições. É o famoso caso em que o exame até corre, mas a leitura fica comprometida. O gabarito é a letra E porque o bloqueio de ramo direito não entra, em regra, nesse grupo de contraindicações diagnósticas classe III. O BRD não inviabiliza automaticamente a interpretação do teste ergométrico para doença coronária obstrutiva, ao contrário do bloqueio de ramo esquerdo, da pré-excitação do WPW, do marca-passo e da alteração basal importante do ST. Em prova, a banca costuma trocar BRD por BRE para ver se você cai no truque.