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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Conforme as III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para o teste ergométrico, constitui recomendação classe III (não há evidências ou consenso de que o procedimento é útil ou eficaz) para o emprego do método com o objetivo de diagnosticar doença coronária obstrutiva, EXCETO:

Gabarito: E

O teste ergométrico é excelente para avaliar sintomas, capacidade funcional e resposta hemodinâmica ao esforço, mas ele depende de um eletrocardiograma basal minimamente interpretável. Quando o traçado de repouso já vem “bagunçado”, o exame perde valor para diagnosticar doença coronária obstrutiva. Por isso, as III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia colocam várias situações como recomendação classe III para esse fim: bloqueio de ramo esquerdo, ritmo de marca-passo, síndrome de Wolff-Parkinson-White e depressão de ST maior que 1 mm em repouso. A lógica é simples: se o ECG já traz alterações de repolarização ou condução, o segmento ST durante o exercício fica difícil de interpretar. O teste até pode ser feito por outros objetivos, como estratificação funcional ou avaliação de sintomas, mas não serve bem como método diagnóstico para isquemia nessas condições. É o famoso caso em que o exame até corre, mas a leitura fica comprometida. O gabarito é a letra E porque o bloqueio de ramo direito não entra, em regra, nesse grupo de contraindicações diagnósticas classe III. O BRD não inviabiliza automaticamente a interpretação do teste ergométrico para doença coronária obstrutiva, ao contrário do bloqueio de ramo esquerdo, da pré-excitação do WPW, do marca-passo e da alteração basal importante do ST. Em prova, a banca costuma trocar BRD por BRE para ver se você cai no truque.

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