Paciente de 58 anos, ex-tabagista, portador de enfisema pulmonar extenso queixa-se de dispneia aos pequenos esforços a despeito de medicação inalatória otimizada. Em relação à técnica de redução volumétrica pulmonar endoscópica com uso de válvulas unidirecionais, assinale a afirmativa incorreta.
- A)É fundamental que a cissura entre o lobo tratado e o lobo adjacente esteja íntegra e completa.
Certa: a integridade da cissura é fundamental para reduzir a ventilação colateral e aumentar a eficácia das válvulas.
- B)Pacientes com enfisema heterogêneo se beneficiam mais do que aqueles com enfisema homogêneo.
Certa: o enfisema heterogêneo tende a responder melhor à redução volumétrica do que o homogêneo.
- C)Pneumotórax pode ocorrer em cerca de 20% dos casos.
Certa: pneumotórax é uma complicação conhecida e pode ocorrer em cerca de 20% dos casos.
- D)O tratamento com válvulas unidirecionais é irreversível.
Errada: as válvulas unidirecionais são removíveis, portanto o procedimento não é irreversível.
- E)Presença de DLCO < 20% é contraindicação relativa.
Certa: DLCO < 20% é considerada contraindicação relativa, não absoluta, exigindo seleção criteriosa.
Gabarito: D
A redução volumétrica pulmonar endoscópica com válvulas unidirecionais é uma estratégia para pacientes com enfisema avançado, especialmente quando o tratamento inalatório já fez o que podia e a falta de ar continua mandando no jogo. A ideia é simples: bloquear a entrada de ar em áreas muito destruídas do pulmão para que elas colapsem, reduzindo hiperinsuflação e melhorando a mecânica respiratória. Para isso dar certo, o pulmão tratado precisa estar bem isolado do restante, e a cissura entre os lobos tem papel central. Quando a fissura está íntegra, a ventilação colateral é menor e a chance de a válvula funcionar melhor aumenta. Por isso, pacientes com enfisema heterogêneo costumam se beneficiar mais do que aqueles com enfisema homogêneo. Outro ponto clássico é o pneumotórax, que é uma complicação relativamente frequente após o procedimento, em torno de 20% em várias séries. Já a DLCO muito baixa, como < 20%, não costuma ser uma contraindicação absoluta, mas sim relativa, exigindo avaliação cuidadosa do risco-benefício. O gabarito é a letra D porque o tratamento com válvulas unidirecionais não é irreversível: elas podem ser retiradas se necessário. Em outras palavras, a técnica é minimamente invasiva e ajustável, não um ponto sem volta. Em provas, a banca adora trocar “irreversível” por “definitivo” para ver se você escorrega no tapete.