Adolescente, 16 anos, refere dor em baixo ventre, de caráter intermitente. Ainda não menstruou e nunca teve relações sexuais. Ao exame ginecológico observou-se desenvolvimento mamário normal, com presença de pelos pubianos e axilares. Região inguinal sem tumoração. A ultrassonografia pélvica evidenciou útero de tamanho normal e imagem heterogênea na cavidade endometrial. O diagóstico é
- A)Agenesia de Muller.
Errada, porque a agenesia de Muller cursa com ausência de útero e vagina superior, e aqui a ultrassonografia mostrou útero de tamanho normal.
- B)Síndrome de Turner.
Errada, porque a síndrome de Turner costuma ter baixa estatura, disgenesia gonadal e ausência de desenvolvimento puberal, o que não ocorre no caso.
- C)Disgenesia gonadal pura.
Errada, porque a disgenesia gonadal pura geralmente leva a amenorreia primária com caracteres sexuais secundários pouco desenvolvidos, diferente desta adolescente.
- D)Hímen imperfurado ou septo vaginal.
Certa, pois a combinação de amenorreia primária, dor pélvica intermitente, puberdade normal e imagem de conteúdo retido sugere obstrução do fluxo menstrual por hímen imperfurado ou septo vaginal.
- E)Útero bicorno.
Errada, porque o útero bicorno é uma anomalia de fusão que nem sempre causa amenorreia e não explica bem a retenção menstrual com dor e conteúdo heterogêneo por obstrução de saída.
Gabarito: D
A adolescente tem amenorreia primária, mas com caracteres sexuais secundários presentes: mama desenvolvida e pelos pubianos/axilares. Isso já afasta, de cara, causas como Turner e disgenesia gonadal pura, que costumam cursar com hipodesenvolvimento sexual. Além disso, a ultrassonografia mostrou útero de tamanho normal, então não estamos diante de agenesia de Muller, na qual o útero e a parte superior da vagina estão ausentes ou muito rudimentares. O detalhe que mais importa aqui é a dor em baixo ventre, intermitente, em uma menina que nunca menstruou. Isso sugere que existe produção menstrual, mas o sangue não consegue sair, ficando retido. O cenário clássico é obstrução do trato de saída, principalmente hímen imperfurado ou, menos frequentemente, septo vaginal transverso. O resultado pode ser hematocolpo/hematometra, que na ultrassonografia pode aparecer como conteúdo heterogêneo na cavidade uterina ou vaginal. Então o raciocínio é: puberdade normal + útero presente + amenorreia primária + dor cíclica/intermitente = pensar em obstrução vaginal. É a clássica armadilha de prova: a paciente parece "atrasada", mas na verdade está menstruando por dentro, com o fluxo preso. O exame ginecológico e a imagem fecham bem esse diagnóstico. Por isso, o gabarito é D. Em termos práticos, a conduta costuma incluir confirmação anatômica e correção cirúrgica da obstrução quando indicado, para aliviar sintomas e evitar complicações.