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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Adolescente, 16 anos, refere dor em baixo ventre, de caráter intermitente. Ainda não menstruou e nunca teve relações sexuais. Ao exame ginecológico observou-se desenvolvimento mamário normal, com presença de pelos pubianos e axilares. Região inguinal sem tumoração. A ultrassonografia pélvica evidenciou útero de tamanho normal e imagem heterogênea na cavidade endometrial. O diagóstico é

Gabarito: D

A adolescente tem amenorreia primária, mas com caracteres sexuais secundários presentes: mama desenvolvida e pelos pubianos/axilares. Isso já afasta, de cara, causas como Turner e disgenesia gonadal pura, que costumam cursar com hipodesenvolvimento sexual. Além disso, a ultrassonografia mostrou útero de tamanho normal, então não estamos diante de agenesia de Muller, na qual o útero e a parte superior da vagina estão ausentes ou muito rudimentares. O detalhe que mais importa aqui é a dor em baixo ventre, intermitente, em uma menina que nunca menstruou. Isso sugere que existe produção menstrual, mas o sangue não consegue sair, ficando retido. O cenário clássico é obstrução do trato de saída, principalmente hímen imperfurado ou, menos frequentemente, septo vaginal transverso. O resultado pode ser hematocolpo/hematometra, que na ultrassonografia pode aparecer como conteúdo heterogêneo na cavidade uterina ou vaginal. Então o raciocínio é: puberdade normal + útero presente + amenorreia primária + dor cíclica/intermitente = pensar em obstrução vaginal. É a clássica armadilha de prova: a paciente parece "atrasada", mas na verdade está menstruando por dentro, com o fluxo preso. O exame ginecológico e a imagem fecham bem esse diagnóstico. Por isso, o gabarito é D. Em termos práticos, a conduta costuma incluir confirmação anatômica e correção cirúrgica da obstrução quando indicado, para aliviar sintomas e evitar complicações.

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