As opções a seguir apresentam afirmativas corretas sobre os achados histopatológicos de doenças infecciosas pulmonares, à exceção de uma. Assinale-a:
- A)Uma lesão granulomatosa envolvendo apenas as porções anteriores da laringe (especialmente a epiglote) tem maior probabilidade de estar relacionada à histoplasmose do que à tuberculose.
Correta: uma lesão granulomatosa restrita à epiglote e à porção anterior da laringe sugere mais histoplasmose do que tuberculose.
- B)Os granulomas observados na histoplasmose e na blastomicose, localizados no pulmão e nos linfonodos regionais, são bastante distintos daqueles observados na tuberculose primária.
Errada: os granulomas da histoplasmose e da blastomicose podem ser muito semelhantes aos da tuberculose primária, e não “bastante distintos”.
- C)Em pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, a infecção por Mycobacterium avium geralmente não revela granulomas, mas, sim, histiócitos espumosos contendo micobactérias.
Correta: na AIDS, o Mycobacterium avium costuma aparecer em histiócitos espumosos, com pouca ou nenhuma formação granulomatosa.
- D)A infecção pulmonar por citomegalovírus em pacientes imunossuprimidos pode apresentar células muito aumentadas em tamanho, com inclusões basofílicas intranucleares habitualmente rodeadas por halo claro.
Correta: o CMV em imunossuprimidos pode formar células aumentadas com inclusões intranucleares basofílicas e halo claro ao redor.
- E)Métodos histológicos de impregnação pela prata podem ser muito úteis na detecção histológica de fungos em doenças como a criptococose.
Correta: a impregnação pela prata é muito útil para demonstrar fungos, como na criptococose.
Gabarito: B
Nas infecções pulmonares, a histopatologia costuma dar pistas valiosas, mas nem sempre entrega o diagnóstico com faixa e certificado. Muitos agentes causam inflamação granulomatosa, e o truque da prova é saber quando o granuloma é mais típico e quando ele só está “fantasiado” de tuberculose. Na histoplasmose, na blastomicose e em outras micoses sistêmicas, você pode encontrar granulomas no pulmão e nos linfonodos, muitas vezes com necrose e, às vezes, com fungos visíveis em colorações especiais. Já na tuberculose primária, o padrão clássico também é granulomatoso, então não faz sentido dizer que esses granulomas fúngicos são “bastante distintos” dos da TB primária. Em geral, eles podem ser muito parecidos, o que exige correlação clínica, epidemiológica e uso de técnicas como PAS e prata metenamina de Grocott. Por isso, o gabarito é a letra B: ela erra ao afirmar uma diferença exagerada entre lesões que, na prática, podem se sobrepor bastante. As demais alternativas descrevem achados histopatológicos bem conhecidos: Mycobacterium avium em AIDS com histiócitos espumosos, CMV com inclusões intranucleares e fungos evidenciados por impregnação pela prata. Em resumo: granuloma não é sinônimo de tuberculose, e também não é sinônimo de fungo. O microscópio ajuda, mas às vezes ele pede uma ajudinha da clínica.