O carcinoma de nasofaringe é uma doença considerada endêmica em algumas regiões, como o sul da China, o sudeste da Ásia e o norte da África. Em lugares como Hong-Kong, Singapura e Taiwan, houve uma redução da incidência e da mortalidade, que tem sido atribuída a fatores alimentares e socioeconômicos, além de melhorias no tratamento. A respeito do carcinoma de nasofaringe, assinale a afirmativa correta.
- A)Trata-se de uma neoplasia em que, apesar da baixa propensão à disseminação à distância, possui altas as taxas de recidiva locorregional.
Errada: o carcinoma de nasofaringe tem importante risco de disseminação à distância, além de recidiva locorregional, então a frase simplifica mal o comportamento da doença.
- B)O subtipo carcinoma escamoso queratinizado representa mais de 95% dos casos em regiões endêmicas e está relacionado ao vírus Epstein-Barr (EBV) em praticamente todos os pacientes.
Errada: nas áreas endêmicas predomina o subtipo não queratinizante associado ao EBV, e não o carcinoma escamoso queratinizado em mais de 95% dos casos.
- C)A detecção e a quantificação do DNA do EBV no plasma têm sido estudadas como método de rastreamento, de estratificação de risco antes do início do tratamento e de avaliação de resposta à terapia.
Certa: a detecção e quantificação do DNA do EBV no plasma são estudadas para rastreamento, estratificação de risco, avaliação de resposta e detecção de recidiva.
- D)No tratamento da doença localmente avançada, não metastática, estudos randomizados mostraram benefício de sobrevida livre de recorrência e de sobrevida global para a quimiorradioterapia seguida de quimioterapia adjuvante com cisplatina e fluorouracil, quando comparada à quimiorradioterapia isolada ou à quimioterapia de indução seguida de quimiorradioterapia.
Errada: a quimiorradioterapia seguida de quimioterapia adjuvante com cisplatina e fluorouracil não mostrou superioridade clara e consistente sobre os esquemas comparadores citados.
- E)Apesar dos resultados promissores, ainda não foi demonstrado, em estudo randomizado fase III, o benefício de associar a imunoterapia à quimioterapia no tratamento paliativo de primeira linha.
Errada: já houve estudo fase III mostrando benefício da adição de imunoterapia à quimioterapia na primeira linha paliativa em cenários de doença recorrente/metastática.
Gabarito: C
O carcinoma de nasofaringe é um tumor bem característico por causa da sua relação com o vírus Epstein-Barr (EBV), especialmente nos casos não queratinizantes, que são os mais típicos em áreas endêmicas. Ele costuma ser diagnosticado tarde porque a nasofaringe fica em uma região “escondida”, e os sintomas iniciais podem parecer bobos, como obstrução nasal, epistaxe e linfonodos cervicais. Quando a doença aparece, já é comum haver comprometimento locorregional e, em alguns casos, metástases. Um ponto muito cobrado em prova é o uso do DNA do EBV no plasma. A dosagem e a quantificação desse DNA têm sido estudadas como ferramenta de rastreamento em populações de risco, para estratificar prognóstico antes do tratamento e para acompanhar resposta terapêutica e recidiva. Em outras palavras, o tumor “deixa pistas” no sangue, e isso ajuda bastante na prática clínica. Por isso, a alternativa C está correta: ela resume exatamente um uso moderno e bem documentado do DNA do EBV plasmático no carcinoma de nasofaringe. As diretrizes e a literatura oncológica reconhecem esse marcador como promissor para seleção de risco e monitoramento, embora ele não substitua o diagnóstico histopatológico. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: o subtipo predominante nas áreas endêmicas não é o queratinizado, e o tratamento localmente avançado ou metastático já evoluiu bastante, inclusive com esquemas combinados e imunoterapia em cenários específicos. Em prova, a banca adora misturar o “clássico” com o “atual” para ver se você cai no canto da sereia.