A lactose é o açúcar do leite produzido exclusivamente pela glândula mamária dos mamíferos. A lactase é a enzima responsável pela hidrólise da lactose em galactose e glicose, e dentre as dissacaridases, a mais vulnerável e em menor concentração. A intolerância aos dissacarídeos é a situação mais comum de intolerância aos hidratos de carbono, especialmente a intolerância à lactose. Sobre a intolerância à lactose, assinale a afirmativa correta.
- A)A intolerância secundária à lactose constitui uma entidade importante em nosso meio pela sua frequência e pode estar associada a gastroenterite aguda, desnutrição e doença celíaca.
Certa, porque a intolerância secundária à lactose pode ocorrer após agressões à mucosa intestinal, como gastroenterite aguda, desnutrição e doença celíaca.
- B)A deficiência congênita da lactase é uma entidade frequente e transitória, em que o lactente passa tolerar quantidades maiores de lactose ao longo da vida.
Errada, porque a deficiência congênita de lactase é rara e permanente, não transitória, e não melhora com o tempo por maturação espontânea.
- C)A deficiência ontogenética de lactase ou hipolactasia do tipo adulto é rara e o indivíduo não é capaz de tolerar pequenas quantidades de lactose.
Errada, porque a hipolactasia do tipo adulto é comum, e muitos pacientes toleram pequenas quantidades de lactose, especialmente com consumo fracionado.
- D)Os sintomas são de dor abdominal associada à diarreia mucossanguinolenta, distensão abdominal e comprometimento ponderoestatural precoce.
Errada, porque o quadro típico é de diarreia aquosa, gases e distensão, e não de diarreia mucossanguinolenta nem de comprometimento ponderoestatural precoce como regra.
- E)O teste de absorção de açúcares pela sobrecarga oral é atualmente o exame de escolha para o diagnóstico de intolerância à lactose, por reproduzir condições fisiológicas de digestão e absorção, e sofrer pouca influência de fatores externos.
Errada, porque o teste de sobrecarga oral com lactose não é o exame de escolha na prática, já que pode ser influenciado por vários fatores e não é o mais utilizado atualmente.
Gabarito: A
A intolerância à lactose acontece quando a lactase, enzima da borda em escova do intestino delgado, está em quantidade insuficiente para quebrar a lactose em glicose e galactose. A lactose não digerida puxa água para o intestino e ainda é fermentada pelas bactérias, causando sintomas como distensão abdominal, gases, cólicas e diarreia aquosa. O ponto-chave é entender que existem formas diferentes de deficiência de lactase, e isso muda bastante o quadro clínico. A forma mais comum é a deficiência primária ou ontogenética, também chamada hipolactasia do tipo adulto, em que há redução progressiva da lactase após o desmame ou ao longo da vida. Já a deficiência congênita é rara e aparece desde o início da vida, com diarreia importante logo que o bebê recebe leite. Existe ainda a intolerância secundária, que surge quando há lesão da mucosa intestinal, como na gastroenterite aguda, na doença celíaca, na doença de Crohn e na desnutrição. Nesses casos, ao tratar a causa de base, a tolerância pode melhorar. Por isso, a alternativa A está correta: ela descreve exatamente a intolerância secundária à lactose e cita causas clássicas e frequentes na prática, como gastroenterite aguda, desnutrição e doença celíaca. A banca gosta desse tipo de associação porque a deficiência de lactase não é apenas uma condição isolada, mas também um achado secundário de doença intestinal. Na investigação, o teste do hidrogênio expirado costuma ser o mais usado, e a sobrecarga oral com lactose pode ajudar, mas não é o exame ideal em muitos casos. O diagnóstico, na prática, mistura clínica com testes funcionais, sempre lembrando que intolerância à lactose não é o mesmo que alergia à proteína do leite.