Um lactente de 18 meses, sexo feminino, inicia quadro de febre de 38,5 a 39º C há 12 horas, evolui com queda do estado geral e pouca aceitação de dieta. O cartão vacinal está desatualizado, faltam a segunda e a terceira dose da pentavalente (tétano, coqueluche, difteria, hepatite B e Haemophilus influenza tipo b) e as vacinas a partir de 12 meses. Ao exame: paciente desidratado, toxêmico, pálido, com estridor laríngeo em repouso, salivação, corpo inclinado para frente, com hiperextensão do pescoço, protusão do queixo e posicionamento da língua para fora, perfusão periférica de 4 seg. AR= sem sibilos. Tiragem subcostal moderada. Sat de 92% Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.
- A)Epiglotite.
Correta: o conjunto febre alta, toxemia, salivação, estridor em repouso e postura em tripé é típico de epiglotite, especialmente em criança com cobertura vacinal incompleta para Hib.
- B)Laringite.
Errada: laringite viral costuma causar tosse rouca/“latido” e disfonia, geralmente sem sialorreia importante e sem aspecto tão tóxico.
- C)Bronquiolite.
Errada: bronquiolite é doença de vias aéreas inferiores, com sibilância, taquipneia e geralmente em lactentes menores, não com salivação e postura em tripé.
- D)Laringotraqueobronquite.
Errada: laringotraqueobronquite (crupe) dá estridor e tosse metálica, mas o quadro costuma ser menos tóxico e não apresenta sialorreia marcada como aqui.
- E)Traqueíte bacteriana.
Errada: traqueíte bacteriana pode cursar com febre e estridor, mas a pista forte de salivação e a posição antálgica para respirar apontam mais para epiglote do que para traqueia.
Gabarito: A
A questão descreve o quadro clássico de epiglotite: febre alta, toxemia, salivação, posição em tripé, estridor em repouso e piora rápida do estado geral. Em criança pequena e com vacinação incompleta para Haemophilus influenzae tipo b (Hib), a suspeita sobe muito, porque essa bactéria era a principal causa do problema antes da cobertura vacinal ampla. O ponto-chave aqui é reconhecer que epiglotite é uma emergência de via aérea. A criança tenta respirar da forma que consegue: fica inclinada para frente, com o pescoço em hiperextensão, queixo projetado e língua para fora, como se estivesse “abrindo espaço” para o ar passar. Salivação ocorre porque engolir fica doloroso e difícil. Diferente de laringite viral (crupe), a epiglotite costuma ter início abrupto, febre alta, aspecto tóxico e ausência de tosse metálica típica. Também não é bronquiolite, porque não há o padrão de sibilância difusa e desconforto respiratório de via aérea inferior. A imagem clínica aqui praticamente grita epiglotite antes mesmo de qualquer exame complementar. Na prática, o raciocínio é: criança vacinada de forma incompleta + febre alta + sialorreia + estridor em repouso + posição antálgica para respirar = pense primeiro em epiglotite e trate como urgência de via aérea. Em prova, a banca gosta de misturar com crupe e traqueíte bacteriana, mas a presença de salivação e postura em tripé costuma entregar o diagnóstico.