Sobre a estenose hipertrófica do piloro, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Acomete mais meninos, primogênitos e de raça branca.
Certa: a estenose hipertrófica do piloro é mais comum em meninos, primogênitos e em crianças brancas.
- B)O sintoma predominante é o vômito pós alimentar, não bilioso, podendo levar a desidratação, desnutrição e alcalose metabólica hipoclorêmica.
Certa: o quadro típico é vômito pós-alimentar, não bilioso, com risco de desidratação, desnutrição e alcalose metabólica hipoclorêmica.
- C)A palpação de uma massa móvel, no formato de uma azeitona, no quadrante superior direito do abdome é patognomônica de estenose hipertrófica de piloro.
Certa: a massa em formato de azeitona no quadrante superior direito é um achado clássico e muito sugestivo da doença.
- D)A tomografia de abdome é o método diagnóstico mais indicado.
Errada: a tomografia de abdome não é o exame de escolha; o método diagnóstico mais indicado é a ultrassonografia.
- E)O tratamento é cirúrgico através da piloromiotomia à Fredet-Ramstedt, após a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e ácido básicos.
Certa: o tratamento definitivo é a piloromiotomia de Fredet-Ramstedt, após estabilização clínica e correção dos distúrbios metabólicos.
Gabarito: D
A estenose hipertrófica do piloro é um clássico da pediatria: lactente, geralmente nas primeiras semanas de vida, com vômitos em jato, após as mamadas, e sem bile. Como a obstrução é na saída do estômago, o conteúdo não chega ao intestino delgado, então o vômito é alimentar e não bilioso. Com o tempo, a criança pode desidratar, perder peso e desenvolver alcalose metabólica hipoclorêmica, às vezes com hipocalemia. É aquele quadro que faz a prova brincar de médico do pronto-socorro, porque o bebê parece “bem” entre os episódios, mas o problema está evoluindo silenciosamente. Do ponto de vista clínico, pode haver palpação de uma massa em “azeitona” no quadrante superior direito ou epigástrio, achado bem sugestivo. O diagnóstico, porém, não é por tomografia: o exame de escolha é a ultrassonografia abdominal, que mostra espessamento e alongamento do piloro. Em casos duvidosos, o estudo contrastado pode ajudar, mas a tomografia não é o método indicado na rotina. Em outras palavras, usar TC aqui é como levar um lanterna para procurar o interruptor em plena luz do dia. O tratamento é cirúrgico, com piloromiotomia de Fredet-Ramstedt, mas antes disso você precisa corrigir a desidratação e os distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. Esse ponto é muito cobrado porque a operação é eficaz, mas o bebê deve chegar a ela metabolicamente estabilizado. Então, quando a banca troca a imagem clássica da ultrassonografia por tomografia, ela está tentando te tirar do trilho.