As opções a seguir apresentam afirmativas corretas sobre os achados histopatológicos das miocardites, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)O diagnóstico histológico de miocardite demanda a presença simultânea tanto de infiltrado inflamatório quanto de degeneração miocitária.
Certa: o diagnóstico histológico de miocardite exige inflamação associada a lesão miocitária, e não apenas infiltrado isolado.
- B)Habitualmente, o infiltrado inflamatório é majoritariamente linfocitário, podendo conter histiócitos e granulócitos.
Certa: o infiltrado é, em geral, linfocitário, mas pode ter histiócitos e granulócitos conforme a etiologia.
- C)Na miocardite por hipersensibilidade, o infiltrado inflamatório é rico em eosinófilos e provoca intensa e extensa lesão miocitária.
Errada: na miocardite por hipersensibilidade há eosinófilos, mas a lesão miocitária costuma ser discreta, não intensa e extensa.
- D)Pode ocorrer intensa necrose e vacuolização de cardiomiócitos, as quais são mais bem observadas em células que estejam em plano longitudinal ao corte histológico.
Certa: necrose e vacuolização de cardiomiócitos podem ser melhor vistas em fibras cortadas longitudinalmente.
- E)Na miocardite de células gigantes, na qual podem ser observados linfócitos CD8+, eosinófilos e células gigantes, não há formação de granulomas.
Certa: na miocardite de células gigantes podem surgir linfócitos CD8+, eosinófilos e células gigantes, sem granulomas verdadeiros.
Gabarito: C
Miocardite, na prática, é inflamação do miocárdio com lesão das fibras musculares. No histológico, o que costuma chamar atenção é o infiltrado inflamatório no interstício, geralmente com predomínio de linfócitos, embora outros tipos celulares possam aparecer conforme a causa. Para fechar diagnóstico, não basta só ver células inflamatórias espalhadas: também é importante haver lesão miocitária associada, como degeneração, necrose ou vacuolização de cardiomiócitos, algo que a própria clássica definição de Dallas descreve como infiltrado inflamatório com necrose e degeneração de miócitos adjacentes. Em geral, o corte em longitudinal ajuda a enxergar melhor essas alterações nas fibras, que são bem alongadas e podem “entregar” a lesão de forma mais clara. Na miocardite por hipersensibilidade, o infiltrado costuma ser rico em eosinófilos, porque a pista é imunológica/alérgica, muitas vezes relacionada a medicamentos. Só que a lesão miocitária costuma ser limitada, e não essa destruição intensa e extensa que a alternativa sugere. A banca quis testar justamente isso: eosinófilo aqui não significa automaticamente carnificina histológica. Já na miocardite de células gigantes, podem aparecer linfócitos CD8+, eosinófilos e células gigantes multinucleadas, mas sem formação de granulomas organizados. Ou seja, parece granulomatosa, mas não é a arquitetura típica do granuloma clássico. No fim, a alternativa errada é a que exagera a agressão tecidual na miocardite por hipersensibilidade.